01 Julho 2022

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Vulcão é uma “desgraça” mas permitiu união dos cabo-verdianos, afirma Pedro Pires

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Lava mantém-se a pouco mais de 600 metros de Bangaeira, povoação que, tal como Portela, foi destruída pela torrente

A “desgraça” que constitui as erupções vulcânicas no Fogo, em atividade há 22 dias, teve um papel “decisivo na união dos cabo-verdianos”, afirmou neste domingo o ex-presidente cabo-verdiano Pedro Pires, que exerceu o cargo de 2001 a 2011, ele próprio natural da ilha.

“A erupção vulcânica do Fogo teve pelo menos um papel decisivo na união dos cabo-verdianos, sobretudo a união emocional, que é muito importante para a união da Nação. A reação das pessoas provou que somos uma Nação com um forte sentimento de união, solidariedade e destino comum”, afirmou o também o antigo primeiro-ministro, de 1975 a 1991.

Pedro Pires, que falava aos jornalistas momentos após ter votado nas eleições diretas para a liderança do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV), a que se apresentam hoje três candidatos, salientou, porém, que as populações afetadas ainda têm dúvidas sobre o seu futuro. “Mas é claro, também, que as pessoas sofreram muito e estão numa fase em que têm dúvidas sobre como vão resolver e superar essa desgraça. Não se deve ir para soluções pontuais”, acrescentou, numa altura em que a intensidade do vulcão se mantém baixa há seis dias.

Para Pedro Pires, cuja terra natal é Monte Velha, povoação próxima do local onde se encontra a lava e, como tal, também ameaçada, a reconstrução da vida das populações deve pensar-se numa solução com uma “perspetiva de médio prazo”. “Deve-se trabalhar para o desenvolvimento global da ilha do Fogo numa espécie de Programa de Desenvolvimento da Ilha do Fogo, em que os aspetos fundamentais da situação das populações de Chã das Caldeiras devem estar inseridos”, sublinhou.

Hoje de manhã, fonte governamental disse à agência Lusa que a lava mantém-se a pouco mais de 600 metros de Bangaeira, povoação que, tal como Portela, foi destruída pela torrente, e está praticamente parada há seis dias. O magna está a 3,5 quilómetros de Fernão Gomes, um pequeno casal, desabitado, próximo de Monte Velha, e considerado o “ponto crítico”, uma vez que, a partir desse local, desabitado, segue-se a encosta da grande montanha até Mosteiros (norte).

Se a atividade vulcânica se agravar e a lava ultrapassar Fernão Gomes, situado a uma altitude de quase 1.900 metros, a torrente não encontrará quaisquer obstáculos em descer a encosta até ao mar, percurso onde se situam duas povoações – Cutelo Alto e Fonsaco -, cujos cerca de 2.300 habitantes estão em alerta para uma eventual evacuação.

Até agora, as erupções vulcânicas que assolam a ilha do Fogo desde 23 de novembro destruíram Portela e Bangaeira, as duas povoações de Chã das Caldeiras, planalto que serve de base aos vários cones vulcânicos, obrigando ao realojamento dos cerca de 1.500 habitantes das duas localidades.

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