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São Filipe: Construção da Casa da Banderona e reconhecimento da festa como património nacional são apostas da ACB

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Actualizado a 11/02/2015, 00:07 São Filipe, 11 Fev (Inforpress) - A construção da Casa da Banderona em Campanas Baixo e a declaração das tradicionais festas de São João Baptista, denominada de “Banderona” como património imaterial nacional são apostas da Associação Cultural Banderona (ACB) para próximos tempos. Manuel Centeio “Miliciano”, presidente da assembleia-geral da ACB e porta-voz da associação, disse à Inforpress que a construção de um espaço para dignificação da mais longa festa de bandeira celebrada na ilha do Fogo e que, regra geral, inicia no último fim-de-semana de Janeiro e prolonga-se até véspera do Carnaval, é um dos aspectos programados para 2015. Para a construção da Casa da Banderona, em Campanas Baixo, uma residente naquela localidade do extremo norte do município de São Filipe, doou a ACB um lote de terreno com cerca de 1.500 metros quadrados visando a implementação do projecto, que, no dizer de Manuel Centeio, foi bem recebido pelos residentes como a comunidade de Campanas emigrada em várias partes do mundo. Ainda antes do término da edição deste ano da festa de Banderona, iniciada a 24 de Janeiro e término a 16 de Fevereiro, a associação prevê a legalização do terreno e promover uma campanha para angariação de fundos para realização do “sonho” e dignificar, preservar e dar outra dimensão à festa de banderona que, anualmente, leva a Campanas milhares de pessoas. Outra aposta que a ACB pretende ver concretizada é o reconhecimento pelas autoridades nacionais da festa como património imaterial nacional, que, no dizer de Manuel Centeio, dará uma outra dimensão à festa. Além da construção da Casa da Banderona em Campanas Baixo, a associação pretende, juntamente com as autoridades no Estado de Massachusetts, na cidade de Boston, criar uma filial da associação para manter a tradição nesta cidade que acolhe muitos emigrantes oriundos de Campanas, com realização de “mini-banderona” para aqueles que não podem, anualmente, regressar à ilha, mas também, para mobilizar recursos para apoiar os festeiros e outras iniciativas na localidade. A angariação e consolidação de mais associados, a criação de um “site” da associação, maior divulgação das festas de banderona, reorganização e preparação de cavaleiros, caixeiros (tamboreiros) e coladeras, introdução de fardas ou uniformes, introdução de cavalos, criação de actrativos turísticos, são de entre outras apostas que associação preconiza, conforme Manuel Centeio. Segundo o presidente da assembleia-geral da ACB, a população de Campanas, residentes e na diáspora, identifica-se com a festa de banderona, razão pela qual a associação espera poder contar com os poderes públicos local e nacional (Câmara e Ministério da Cultura) na concretização das apostas delineadas, anotando que com isso “Campanas Baixo, ilha do Fogo e Cabo Verde” saem a ganhar. A Banderona é uma festa de cariz profana-religiosa, que surgiu há mais de dois séculos e conforme reza a lenda “na altura, as pessoas ouviam, no “assobiar” do vento, sons comparados com o toque de tambor e cantigas no ar, ao longo de uma semana”, seguidos de relâmpagos e trovões, tendo um raio caído numa ribeira onde brincavam algumas crianças. A partir daí, a festa começou com as crianças que tocavam latas, mas aos poucos ganhou outras dimensões, sendo hoje uma das maiores festas tradicionais da ilha do Fogo e de Cabo Verde. A “Banderona ”tem alguma diferença com outras festas assinaladas no Fogo. A sua figura principal é o "cordidjeru" (governador), que dirige e superintende todas as actividades da festa. JR Inforpress/Fim
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