28 Junho 2022

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“Para que não nos esqueçamos da razão de ser do OVCV, quando as lavas arrefecerem e regressarmos à nossa rotina diária

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Li, com atenção, o artigo que o Professor Dr. João Duarte Fonseca publicou na edição eletrónica do dia 13 de Janeiro no jornal “A Semana”. Confesso que o conteúdo do artigo provocou em mim um grande desconforto, apesar de conhecer artigos anteriores publicados pelo mesmo articulista, nos quais ele lança farpas em contra tudo e todos os que não alinham com os seus pontos de vista, dos seus pupilos e dos projetos de que é promotor ou responsável. Lembro-me da sua intervenção destrutiva aquando do Workshop MAKAVOL, de Dezembro de 2010, no qual participou a nosso convite. Compreendo os laços afectivos do Professor Dr. João Duarte Fonseca para com o Vulcão da Ilha do Fogo, muito anteriores à erupção de 02 de Abril de 1995, que considero sinceros. Reconheço o mérito do trabalho que desenvolveu através dos projectos “ALERT” e “VIGIL” que, com o financiamento de Portugal através da Cooperação Portuguesa e IST, permitiu a instalação da rede de Vigilância Geofísica do Vulcão da Ilha do Fogo. Mas não lhe reconheço o direito de, para enaltecer os seus feitos científicos e os dos seus pupilos, desvalorizar o mérito do trabalho que o ITER, o INVOLCAN e a UNICV estão a desenvolver em prol da formação técnica e científica de investigadores da nossa Universidade Pública, no controlo da emissão difusa de CO2 e SO2. Aqui o Professor Dr. João Duarte Fonseca reconfirmou-me a sua falta de ética e da humildade apregoada no seu artigo. Enquanto PCA do LEC, convidei o Professor Dr. Nemésio Pérez a vir a Cabo Verde, creio que em 2005, por sugestão do Professor Dr. Alberto da Mora Gomes, num momento crítico do funcionamento da rede de “Vigilância Geofísica do Vulcão da Ilha do Fogo”, em contínua degradação por falta de assistência técnica especializada, apesar os esforços do Eng.º Inocêncio Barros e da Engª Zuleyka Bandomo, quadros do LEC. Costumo dizer que, por falta de verbas da Cooperação Portuguesa e do IST, cessou a colaboração do Professor Dr. João Duarte Fonseca com o LEC / VIGIL. Por outras palavras, desertou do VÍGIL. Apesar do artigo não ter um destinatário explícito o assunto diz-me respeito. Acredito que, sem a colaboração do ITER, INVOLCAN, Cabildo de Tenerife, enfim, sem a colaboração da Agência Espanhola de Cooperação para o Desenvolvimento (AECID), os nossos investigadores da UNICV não teriam chegado tão longe. Só os conhecimentos e experiências entretanto adquiridos, que o trabalho de terreno aprofundou e consolidou, permitiram o acompanhamento da erupção do dia 23 de Novembro e a difusão dos boletins informativos diários através da rádio e da televisão. Sem essa cooperação “exógena” não teríamos essa capacidade mas apenas “um doutor” em geofísica, como refere o articulista, e pouco mais, o que é manifestamente insuficiente num país que tem um vulcão ativo. Concordo que devemos “apostar na capacitação científica nacional”, é isso que está a ser feito, mas discordo quando diz “evitando a todo o custo a criação ou a manutenção de dependências estrangeiras nas áreas científicas mais criticas” como se tal dependência exista. Como académico que é o Professor Dr. João Duarte Fonseca sabe que a investigação científica não tem fronteiras e que as parcerias nacionais e estrangeiras são indispensáveis. Isolados por receio de “dependências estrangeiras”, quando ainda temos muito que aprender, não nos leva a lugar algum. Não busquei “protagonismo”, senão aquele a que estava obrigado por inerência do exercício das minhas funções diretivas. E muito menos o Professor Dr. Nemésio Pérez, que de protagonismos não necessita. O seu CV fala por si. Buscamos, isso sim, a Verdade quanto à importância da Vigilância Vulcanológica – com as suas três componentes indissociáveis Geofísica, Geodesia e Geoquímica - para a segurança das populações desta Ilhas, conhecimento ainda do conhecimento de um número muito restrito de pessoas que primam por manter a Sociedade Civil no obscurantismo, com receio de serem emitidos falsos alarmes. Em consciência, afirmo que mais vale um falso alarme, mesmo que posteriormente duramente criticado, do que um alarme tardio, ineficaz, mas com a garantia de 100% de sucesso. O alarme tardio conduziu à evacuação também tardia, precipitada, improvisada e dramática que testemunhamos a 23 de Novembro e dias seguintes. Não! Não me orgulho do “resultado científico notável” que, em meu entender, levou a resultados fracos e entristeceu todos os Cabo-verdianos. Acho que é tempo de o Professor Dr. João Duarte Fonseca saber que o Vulcão da Ilha do Fogo não é o seu feudo e que, na investigação científica, mormente quando as vidas e os bens dos cidadãos possam estar em risco, não há “exógenos”. Todos juntos, nacionais e estrangeiros, somos poucos para tão delicada tarefa. Praia, 14 de Janeiro de 2015 * Engenheiro Civil Coordenador, entre 2002 e 2012, dos Projetos VIGIL e MAKAVOL / Observatório Vulcanológico de Cabo Verde
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