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Fogo/naufrágio: MpD critica forma irresponsável como as buscas foram suspensas

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Actualizado a 16/01/2015, 13:06 São Filipe, 16 Jan (Inforpress) - O Movimento para a Democracia (MpD - oposição) criticou hoje a “forma irresponsável, negligente, desorganizada e nada profissional” como as buscas dos passageiros e tripulação do navio Vicente foram suspensas no primeiro dia e recomeçado tarde. Durante uma conferência de imprensa para analisar o naufrágio, que vitimou 15 das 26 pessoas a bordo, o coordenador do MpD na ilha, Jorge Nogueira, disse que trata-se de uma tragédia várias vezes anunciada e “consequência directa da irresponsabilidade, desleixo, incompetência e da corrupção existente na Administração Pública” cabo-verdiana. Segundo o deputado pelo Fogo, o navio estava sobrecarregado, aspecto que considera tem sido prática corrente nos portos de Cabo Verde, porque conforme afirmou, a “fiscalização não existe e o fechar de olhos em troca de um “mon fitchado” (“luvas”) foi legalizado pelo Governo, que sabendo da sua existência não toma medidas”. Com relação as buscas, Jorge Nogueira considera que elas foram feitas “de forma irresponsável” e aponta como facto o regresso à de meia-noite da quinta-feira, 08 de Janeiro do navio Kriola ao porto de Furna (Brava) e de Ostrea às 03:00 do dia 09 de Janeiro à praia de Nossa Senhora (São Filipe) quando ainda estavam no mar 23 pessoas precisando de socorro, incluindo uma criança de seis anos. Lembrou que, no dia seguinte, as buscas, que deviam reiniciar por volta das 06:00, não aconteceram, anotando que o Kriola e a embarcação de recreio do armador Vicent saíram mais cedo, mas que Ostrea por volta das 10:00 ainda estava no porto de Vale dos Cavaleiros e que o meio aéreo só chegou por volta do meio-dia. “O avião e os quatro barcos da Guarda Costeira, apropriados para as buscas ainda não apareceram no Fogo, nem durante a erupção vulcânica (iniciada a 23 de Novembro) e nem nesta tragedia de maior dimensão”, salientou Jorge Nogueira, para quem “as buscas foram efectuadas com meios inapropriados”. Para o coordenador do MpD na ilha do Fogo, o Governo, ao afirmar que fez tudo e que mobilizou todos os meios para salvar as pessoas e que as responsabilidades do naufrágio serão assacadas, não é para levar a sério porque nunca assumiu as responsabilidades. Jorge Nogueira disse que o Ministério Público deve investigar este caso e atribuir responsabilidades às pessoas, anotando que o seu partido vai apoiar as famílias das vítimas no sentido de responsabilizarem civilmente os culpados, seja ele o armador ou o Governo de Cabo Verde. “Temos um sector de transporte marítimo desregulado e com graves falhas na fiscalização e supervisão”, afirmou o deputado, anotando que o executivo conhece as situações e tem a exacta noção do perigo em que os cidadãos viajam nos transportes marítimas. O navio Vicente,  de quase 52,70 metross, que pertencia à Companhia Tuninha, afundou-se na noite de quinta-feira, 08, a quatro milhas do porto de Vale dos Cavaleiros (Fogo) com 26 pessoas a bordo, entre membros de tripulação e passageiros. Nas primeiras 20 horas foram resgatadas 11 pessoas com vida e o corpo de um membro da tripulação. Corpos de outras duas pessoas foram localizadas mas devido ao estado do mar não foram resgatadas pelas equipas de busca e salvamento. Doze pessoas, sendo duas mulheres e 10 homens, incluindo o comandante e o imediato do Vicente, estão ainda desaparecidas, bem como a esposa do delegado do Agencia Marítima Portuária, Sandra Varela. JR Inforpress/Fim
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