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Erupção Vulcânica: Povo da Chã tem uma “relação simbiótica” com o vulcão e só é feliz se o tiver no seu ambiente – especialista

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Actualizado a 27/12/2014, 11:31 *** Por Jaime Rodrigues, da Inforpress*** São Filipe, 27 Dez (Inforpress) – O especialista na área de vulcanologia João Fonseca disse hoje que o povo de Chã das Caldeiras tem uma “relação simbiótica” com o vulcão e que só é feliz se o tiver no seu ambiente. O professor do Instituto Técnico de Lisboa (Portugal), que acompanhou a erupção vulcânica de 1995 e a fase pós-erupção, encontra-se na ilha do Fogo no quadro da missão do consórcio de várias instituições, C4G, de Portugal, integrada por sete universidades e três laboratórios para manter o funcionamento dos equipamentos instalados no final de Novembro. Referiu à Inforpress que “viver na Chã vai ficar difícil” durante os próximos anos porque a taxa de destruição do edificado é “muito elevada”. Segundo o especialista, na sequência da erupção encontrou “uma Chã ferida da destruição” dos núcleos habitacionais mais importantes, mas “não ferida de morte”, situação que leva as pessoas a fazer um exercício mental “muito importante” que é o de imaginar como vai ser Chã das Caldeiras daqui a cinco anos. João Fonseca explicou que para as pessoas conseguirem entender como vai ser a Chã das Caldeiras no futuro é necessário entender a sua população, como ela funciona, quais os seus valores e aspirações, indicando que o importante é confrontar as aspirações das pessoas de Chã das Caldeiras antes de tomada de medidas. “No dia que se verificar um cenário em que Chã deixa de ser a que conhecemos, com o seu vulcão, a sua gente, com agricultura, seu vinho, com aquele ambiente tão especial de acolhimento, hospitalidade, Cabo Verde ficará muito mais pobre”, disse João Fonseca, para quem ainda não se tem uma “noção clara do valor patrimonial” da Chã das Caldeiras, não apenas do ponto de vista natural e geológico, mas também do ponto de vista sociológico e antropológico. A questão chave de Chã das Caldeiras, sintetizou, é o terreno agrícola, e apesar de ainda não terem sido feitas as contas, João Fonseca considera que a destruição de terrenos agrícolas nesta erupção corresponderá a cerca de 20 por cento (%), o que tem um “grande impacto” na economia, mas não é a “situação catastrófica” que, à distancia têm as pessoas. “A ideia que tenho de há muitos anos, que não foi alterada pela destruição dos dois principais povoados de Chã das Caldeiras, uma das jóias de coroa de Cabo Verde, é que ninguém pode exigir a população de Chã que contra ventos e marés permanece na Chã e recupera a sua vida, continua a manter o seu estilo de vida”, disse João Fonseca, anotando que “não se pode exigir sacrifício e esforço” que a população tem para viver na Chã. Segundo o especialista, no dia em que a população de Chã disser que está cansada e “não quer viver na vizinhança deste vizinho que as vezes é tão incomodo”, deve- se respeitar este posicionamento, que o próprio duvida, no entanto, que alguma vez venha a acontecer. A vivência nas proximidades dos vulcões activos não é uma exclusividade de Cabo Verde e todos os vulcões activos atraem a população porque os terrenos são férteis e isso leva que muitas medidas bem-intencionadas de redução de riscos não sejam implementadas, disse o especialista. “É preciso, nesta fase pós desastre, muita ponderação, estudo, disponibilidade para ouvir e escutar as aspirações das pessoas antes de se tomar medidas precipitadas porque todas as medidas de reconstrução são oportunidades de negócios e mexe com muitos interesses, mas é preciso entender o património extraordinário de que se está a tratar quando se equaciona o futuro de Chã das Caldeiras”, concluiu João Fosenca. JR Inforpress/Fim  
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