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Erupção Vulcânica: Esta erupção é pequena do ponto de vista geológico mas terrível pelos estragos causados - especialista

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Actualizado a 26/12/2014, 17:39 São Filipe, 26 Dez (Inforpress) - A erupção vulcânica iniciada a 23 de Novembro e ainda em curso é classificada do ponto de vista geológico como “pequena, mas terrível" do ponto de vista dos estragos causados, disse hoje à Inforpress um especialista. João Fonseca, professor do Instituto Superior Técnico de Lisboa, que acompanhou a erupção vulcânica de 1995 e a fase pós-erupção até 2010, afirmou tratar-se de uma erupção mais curta na medida em que nas últimas décadas as erupções têm a tendência em durar mês e meio a dois meses, mas muito produtiva dada a quantidade de lavas emitidas ser bastante considerável e concentrada. “Este era o pior cenário em relação a Chã das Caldeiras. Havia outros cenários mais complicados que não podem ser descartado na ilha do Fogo”, disse o especialista, que coordenou um estudo sobre “os diversos riscos geológicos nas ilhas de Cabo Verde”, realizado por um consórcio português a pedido de PNUD e entregue a este organismo das Nações Unidas no dia 14 de Novembro, nove dias antes do início da erupção vulcânica. No documento, conforme explicou à Inforpress, sobre a perigosidade vulcânica foi identificado o cenário da ocorrência de uma erupção neste flanco do vulcão, uma erupção caracterizada essencialmente por escoada de lavas como se verificou. “O cenário de destruição associado a ocorrência desse tipo de erupção vulcânica foi justamente este, a destruição de Chã das Caldeiras, a paragem de escoada de lavas antes de atingirem o rebordo da caldeira”, disse João Fonseca, anotando que se a escoada de lavas tivesse alcançado o rebordo da caldeira e avançado pela costa leste seria muito pior e mais complicado na transferência das pessoas. Felizmente, disse João Fonseca, este cenário não se concretizou até este momento e poderá não se verificar, embora na natureza nunca se poder ter a certeza como as coisas vão evoluir, razão pela qual, anota, “há que continuar a observar com atenção o vulcão, como está sendo feito, mas neste momento é muito pouco provável que atinja a costa leste”. O especialista na área de vulcanologia considera que a nível da ilha do Fogo “há vários cenários que tem de ser considerados” e um deles é a possibilidade de uma erupção no Pico principal porque tanto o passado geológico como o passado histórico apontam para isso. “Uma erupção através do pico do vulcão seria muito mais complicado de gerir, apesar da vantagem que a erupção no pico não vai ocorrer sem dar muitos sinais notórios”, disse João Fonseca, anotando que as condutas centrais do pico do vulcão estão obstruídas e a possibilidade de o magma atingir a superfície através destas condutas terá que abrir os seus caminhos e ao fazer isso terá que dar sinais sísmicas, deformação de crostas, entre outros. Segundo este especialista, ao encontrar resistência, o magma tem a tendência de sair a quota de Chã das Caldeiras que é o caminho mais fácil, mas não se pode excluir uma erupção no pico principal porque ocorreu em diversos períodos históricos e durante vários anos. “É um cenário de baixa probabilidade mas não pode ser descartado”, afirmou, anotando que esta possibilidade não acontece no imediato. O estudo foi realizado numa perspectiva de ordenamento do território e tem por finalidade ajudar as autoridades a tomar decisões para o ordenamento do território, identificar quais as actividades que são compatíveis com a medida de riscos, quais as recomendáveis, qual a melhor estratégia para construções de infraestruturas, os investimentos que são razoáveis, de entre outros. João Fonseca disse que as zonas de costa leste (Tinteira e Relva) estão devidamente consideradas neste estudo, indicando que não é de agora que se sabe que a zona de maior perigo vulcânico não é o interior de Chã das Caldeiras, apesar de ter sido destruído pelas lavas, mas as zonas situadas a quota inferior ao vulcão. Segundo este professor do Instituto Superior Técnico de Lisboa, quando se analisa o perigo vulcânico o que se tem em vista é a preservação das vidas e, num segundo plano, a preservação dos bens e investimentos que são feitos e em termos de perigo para a vida humana as erupções em Chã das Caldeiras são de riscos baixos e se traduzem por escoada de lavas que avançam a velocidade que permitem transferência das pessoas como se verificou agora e nas restantes erupções. “Não há memória de perdas de vida na ilha do Fogo, directamente associada a erupções. No seculo XVII chegou a haver perdas de vida relacionadas com tremores de terras mas, mesmo assim, muito baixa”, disse o especialista, anotando que a questão da perda de vida humana se coloca de outra forma se se pensar nas populações que estão a uma quota inferior na costa leste. Segundo João Fonseca, mesmo havendo riscos das lavas atingirem o rebordo da cadeira e transbordarem para a costa leste é possível equacionar as medidas de protecção civil necessárias com alguns dias de antecedência, mas não se pode excluir a abertura de uma boca vulcânica na zona Monte Losna ou a sul, na zona de Monte Orlando, como ocorreu em 1951 e ali há o risco de uma propagação das lavas para as povoações da costa leste sem que haja muito tempo para as medidas de protecção civil. João Fonseca disse que não está a referir riscos agora mas considerando todos os cenários possíveis e as medidas de ordenamento do território, a costa leste é uma zona onde todo investimento deve ser muito ponderado, à luz destes condicionantes do estudo de riscos vulcânicos. JR Inforpress/Fim
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