25 Maio 2019

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Fogo: Programa do município de São Filipe para mitigar os efeitos do mau ano agrícola pode ser mais desastroso do que o de 2018 – Vereador (c/áudio)

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São Filipe, 14 Fev (Inforpress) – O vereador sem pasta da Câmara Municipal de São Filipe, Eugénio Veiga, considera que o programa de São Filipe para mitigar os efeitos da seca e do mau ano agrícola pode ser muito mais desastroso do que o do ano passado.

O vereador sem pasta eleito pela lista do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV – Oposição) justifica a sua leitura pelo facto das reservas, particularmente na parte sul e centro do município de São Filipe, serem praticamente nulas e o programa previsto não estar a dar satisfação mínima.

Para o autarca, o programa está desalinhado, quer em termos temporal, porque está atrasado a sua implementação, quer nas actividades previstas, porque não dá respostas imediatas, como na criação de emprego público, que não vai ao encontro com aquilo que o ambiente actual deseja.

O vereador. Que convocou a imprensa para analisar o programa, na sequência de mais um mau ano agrícola, disse que em relação ao ano passado, não obstante todo o discurso de reflexão para implementação de um projecto/programa de resiliência, para que em caso de secas futuras equacionar solução económica e social, com a repetição de mais um ano agrícola, ficou demonstrado que o programa de 2018 foi um falhanço completo.

No dizer de Eugénio Veiga, a nível de salvamento de gado, o programa do ano anterior não atingiu a dimensão desejável, adiantando que no sector da mobilização de recursos hídricos também registou falhanço, uma vez que a disponibilidade de água, sobretudo em termos de qualidade, no município de São Filipe, não foi alcançada, acrescentando que a nível do emprego público “foi uma miséria”.

O programa, com as componentes municipais e governamentais, para este ano ronda os 88 mil 600 contos, divididos por cinco grandes áreas, nomeadamente salvamento de gados, no montante de 3500 contos, apoio aos agricultores, com o montante 4100 contos, realização de mais três furos de prospecção de água, com o valor de 60000 contos, criação de emprego público, com 15000 contos e abastecimento de água, com 5000 contos.

Das actividades, segundo o vereador, apenas o sector de salvamento de gados pode ser considerado adaptado ao ambiente, embora o montante seja muito insuficiente para as necessidades, já que o valor será aplicado na aquisição de pastos e ração, e transporte dos mesmos.

Para o ex-autarca da Câmara Municipal de São Filipes, o apoio aos agricultores é um programa desajustado porque não é concebível implementar um programa do género no período da seca e com carência de água, quando as demais actividades são de dimensões muito limitada.

Com relação à execução de mais três furos, também é, no dizer de Eugénio Veiga, desadaptado ao ambiente, explicando que os furos por si só não trazem vantagens em termos de mobilização e disponibilização de mais água, indicando que, além de furos em si, é necessário o seu equipamento e ordenamento para que possam ser utilizados.

“Se o programa de execução dos furos se iniciar em meados de Março/Abril, possivelmente a sua utilização só acontecerá em Setembro ou Outubro e a acção para o combate e mitigação dos efeitos do mau ano agrícola já devia estar em curso e não em perspectiva”, disse o vereador, para quem o programa devia ser pensado há mais tempo para a sua implementação neste momento.

Com relação à execução de furos permanentes na ilha, apesar de existir um potencial importante de recursos hídricos, Eugénio Veiga adverte que quando se realiza furos na mesma localidade pode afectar o lençol freático, pondo em causa, no futuro, a qualidade da água potável.

“Com pressão política para realizar furos, na perspectiva de vender a imagem, pode pôr em causa o futuro da água potável a nível da ilha”, disse o vereador, para quem nesta matéria o Governo deve começar a pensar numa solução adaptável à realidade de Cabo Verde, através da implementação de projectos de dessalinização de água ou intervenção nos furos com água salobra para permitir a sua qualidade e garantir tranquilidade do processo de desenvolvimento.

Quanto ao montante do plano, cerca de 88 mil contos (87.600 contos), Eugénio Veiga considera a quantia de “manifestamente insuficiente”, observando que São Filipe e Santa Catarina do Fogo têm muito menos recursos financeiros que o município do Tarrafal de Santiago e mesmo o de Santa Cruz, mas sublinha que dificuldades do Tarrafal não é maior do que a da ilha do Fogo.

JR/JMV

Inforpress/Fim

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