19 Março 2019

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Fogo: Engenheiro “preocupado” com o escoamento de água na reabilitação da “praça das bandeiras” (c/áudio)

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São Filipe, 07 Fev (Inforpress) – O engenheiro de construção civil João Miguel Alves “Monge” está preocupado com algumas “deficiências técnicas” da obra de requalificação da “praça das bandeiras” e exorta a edilidade a equacionar o problema de escoamento de águas pluviais enquanto é tempo.

Em declarações à Inforpress, o engenheiro esclareceu que o seu posicionamento “não tem nada a ver com política, mas apenas uma crítica técnica para correcção do que está mal”, indicando que um dos problemas graves desta obra é o escoamento de água pluvial que não está sendo equacionado apesar de representar um perigoso iminente.

Com a execução da obra assim como está sendo feita “há risco de inundação da unidade hoteleira Seafood”, explicou o engenheiro, para quem “não se pode construir passeios para obrigar as águas superficiais a subir os mesmos para depois desaguar em dois ou três pequenos buracos e insuficientes para tal”. Sustentou que toda a água pluvial da parte alta da cidade, do Presídio e do centro histórico vai desembocar neste espaço.

Apesar de não conhecer todo os detalhes técnicos do projecto, a mesma fonte disse que pela explicação recebida do arquitecto que o projectou, é visível que tem faltado alguns elementos de proporção.

“Dizem que é uma ‘praça das bandeiras’ e não vejo nada de bandeiras. Tem umas árvores e sombra e não tem armas e nada que identifica esta praça”, disse João Miguel, para quem este é um dos primeiros, dos muitos, erros que a edilidade tem estado a cometer e que deve ser evitado ao máximo se existe a intenção de São Filipe ser candidato a património histórico”.

Para que isso aconteça, avançou, a edilidade tem de começar a “fazer o trabalho de casa”, notando que neste aspecto em particular a cidade, e o seu centro histórico, tem estado a degradar-se, porque a câmara tem estado a introduzir elementos novos não compatíveis com o objectivo de um centro histórico.

“Não sou contra praças, mas deve ser feito de forma a ter sentido e com funcionalidade, o que não está a acontecer com esta obra”, advogou o engenheiro, que se abstém de criticar o aspecto arquitectónico, porque, segundo adiantou, não é a sua área, mas assevera que “o trabalho está mal e isto é visível para todos”.

“Trata-se de um trabalho feito no computador que não está sendo implantado a 100 por cento (%) no terreno”, frisou, indicando que está sendo implementado “sem respeitar princípios básicos”, como a boa circulação de viaturas e de peões, por exemplo.

Além do constrangimento do deficiente escoamento de água, perspectivou que essa praça cria outros problemas devido à inexistência de parque de estacionamento e falta de acessibilidade para pessoas com deficiência (motoras e invisuais).

Este engenheiro de construção civil entende que a edilidade não pode desculpar-se com inexistência de técnicos qualificados já que estes estão no mercado e a câmara pode comprar os seus serviços, além da hipótese de estabelecer parcerias técnicas com as demais câmaras municipais.

A questão do parque de estacionamento pode ser resolvida, mas a sua criação noutros espaços vai limitar toda a zona baixa do centro histórico e nos dias de actividades, na Igreja Matriz, como funeral e casamento, por exemplo, será proibida a entrada e circulação de viaturas porque não há parque de estacionamento junto da praça.

Outrossim, afirmou que “não há uma coordenação em termos de sinais de trânsito, há falta de informação, passadeiras, acesso a deficientes e o problema de escoamento de água”.

Além desta obra em concreto, o engenheiro apontou outras intervenções realizadas na cidade como a rotunda junto da esquadra policial e o parque de estacionamento junto do hospital regional que apresentam “deficiências técnicas graves”.

Em termos de acessibilidade para pessoas com deficiência, além da “praça das bandeiras”, o engenheiro afirmou que a edilidade tem estado a falhar e apontou como exemplos, as remodelações do seu próprio edifício e do mercado central, onde “esqueceu” de equacionar a acessibilidade para pessoas com deficiências, sublinhando que “não percebe a lógica da câmara para o desenvolvimento da cidade”, já que as muitas obras executadas “têm deficiências e estão mal enquadradas”.

“São Filipe precisa que as pessoas se reúnam para resolver os problemas básicos como trânsito, que é péssimo e precisa de um bom sistema de trânsito com sinais verticais e sinais horizontais, e o escoamento das águas pluviais, por exemplos”, disse o engenheiro.

O arquitecto Cláudio Barbosa que projectou a remodelação da praça perto de Fortim Carlota ou ex-cadeia civil e que passará a ser denominado de “praça das bandeiras” refuta as criticas relacionadas quer com o problema de escoamento de água como de acessibilidade e parque de estacionamento.

Em relação ao escoamento de águas pluviais disse que antes havia quatro entradas de água e com o projecto o número dessas entradas foi duplicado para oito e com a mesma dimensão das que havia no passado.

“A obra ainda não está pronta, há que esperar pela conclusão dos trabalhos para poder aperceber a razão da existência ou não de críticas”, disse Cláudio Barbosa, observando que existe acessibilidade quer para a parte central da praça como para o espaço que permite visualizar o mar e, a título de exemplo, afirmou que há um desnível no passeio junto à casa de dona Maria Augusta, numa extensão de quatro metros até porque existe no local uma garagem.

Quanto ao não alinhamento da estrada com as casas, Cláudio Barbosa explicou que foi alinhado com o passeio da via do sentido único que vai desde as proximidades do Presídio, acrescentando que a estrada tem mais de cinco metros de largura e permite a circulação de todas as viaturas, mas, como é natural, as viaturas não podem estacionar à volta da praça.

Sobre a inexistência de parque de estacionamento, a mesma fonte disse que há um espaço para estacionamento de cinco viaturas, mas que não foi projectado o número de estacionamento que o dono do estabelecimento hoteleiro reivindica, sublinhando que nas proximidades existem espaços “suficientes” para estacionamento.

JR/ZS

Inforpress/Fim

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