19 Março 2019

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Fogo: Arranca a festa da Banderona com participação de cerca de 40 artistas e grupos

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A maior festa tradicional da bandeira da ilha, “Banderona”, assinalada anualmente em Campanas de Baixo, acontece, este ano, entre os dias 02 e 25 de Fevereiro com a participação de uma média de 35 a 40 artistas e grupos. Tudo aponta que vários populares vão ocorrer a essa zona norte do Município de S.Filipe para celebrar essa manifestação cultural que tem um ritual próprio - com mistura do profano e religioso -, em que a matança de animais para a alimentação dos festeiros durante cerca de duas semanas seguidas e toque de tambor com apanha da Bandeira assumem uma relevância particular.

Com tem sido habito, a festa vai ser rija e começa, este sábado, 02 de Fevereiro, com a construção das barracas, inicio de pilão e baile. O festeiro da bandeira principal da edição 2019 é o emigrante nos Estados Unidos da América, João di Lálá, que já se encontra na ilha. Já o festeiro da Bandeira da Praia é o foguense João Pedro.

Segundo o festeiro citado pela Inforpress, nos dias subsequentes a festa continua com pilão nos dias de semana e aos fins de semanas prossegue com baile e convívios, sendo que os quatro últimos dias serão de maior movimentação e realização das actividades.

Para o dia 22 de Fevereiro está programado o “convívio de emigrantes com os residentes da localidade e da ilha”, no dia 23 a matança dos animais para o almoço da Banderona, 24, no período de manhã acontecerá a parte religiosa (missa), seguida de “baile de cavaleiros”, desfile de motos. Já o dia 25 vai ser o ponto alto da festa, com a colocação do mastro (finca-mastro), almoço e convívios. No final do dia acontecerá o momento solene com a passagem da bandeira para o festeiro de 2020.

João di Lálá indica que para este ano há um número considerável de artistas e grupos musicais - uma média de entre 35 a 40 artistas e grupos. Revela que está confirmada da presença de grupos como Cordas do Sol e Ferro Gaita e artistas como Beto Dias, Ló, Nho Nany, Bnine, Mito Kaskas, Baca Brabo, Dú Marthaz, Buguim Martins, Vavu, Josimar, entre outros Segundo a mesma fonte, “tudo é gratuito, não há cobrança de portas e as bebidas e a comida são também ofertadas”.

João explica que o motivo que o levou a ser festeiro é o de manter a tradição, observando que outras pessoas “tomam a bandeira por causa de promessas com o Santo e outros nem por isso”. No seu caso, não tem promessa nenhuma, mais simplesmente como filho de Campanas de Baixo quis ser festeiro porque é uma tradição da qual desde menino participou e gosta. Por isso, informa que decidiu ser festeiro - acontece pela primeira vez - mas diz esperar que não seja a última.

Além de apoio moral, João disse que muitas pessoas contribuíram economicamente para a festa. Por isso, espera que a mesma venha a ser um sucesso, observando que na Banderona todos são tratados de forma igual e sem discriminação ou separação de classes.

Segundo ainda a Inforpress, a preocupação maior é com a segurança, iluminação e saneamento. A pensar nisso, o festeiro, como forma de melhor organizar as festas para que todos se sintam confortável, estabeleceu já encontros com o edil de São Filipe, comandante Regional da Polícia Nacional (PN), responsáveis da Telecom e da Electra.Assegurou que , “todos estão disponíveis em colaborar para o sucesso da festa”

Ritual da Banderona e lenda

Conforme vários escritos, a festa de São João Baptista “Banderona”, inicia-se, regra geral, no último fim-de-semana de Janeiro e termina na véspera do Carnaval. Mas poderá começar mais cedo ou mais tarde, consoante a data da celebração do Carnaval, e da posse do festeiro.

A festa é apelidada de “Banderona” por ser a festa tradicional da bandeira com maior duração celebrada em toda a ilha do Fogo e a segunda que movimenta o maior número de pessoas, depois da festa da bandeira de São Filipe, 01 de Maio, que tem um carácter nacional e internacional.

Como relatam os mais velhos, a festa da “Banderona” ou da Bandeira de São João Baptista surgiu há mais de dois séculos. Conforme reza a lenda, “na altura, as pessoas ouviam, no “assobiar” do vento, sons comparados com o toque de tambor e cantigas no ar, ao longo de uma semana”, seguidos de relâmpagos e trovoadas, tendo um raio caído numa ribeira onde brincavam algumas crianças.

A “Banderona” tem alguma diferença com outras festas assinaladas no Fogo. A sua figura principal é o “cordidjeru” (governador), que dirige e superintende todas as actividades da festa.

Nela participam cavaleiros, detentores de bandeiras (guardiões das bandeiras e da ordem, paz e harmonia), um juiz que preside, juntamente com o “cordidjeru”, que assegura a votação ou nomeação dos festeiros para a festa do ano seguinte, e um corpo de “coladeiras”, integrado por homens e mulheres, acompanhados de “caxerus” ou tamboreiros.

Outra figura da festa é, segundo ainda a fonte citada pela Inforpress, o de “refugiado ou ladrão”. Este é uma espécie de “canizade” ( um mascarado) que durante a festa só aparece no dia da matança - no último sábado antes do almoço, com a intenção de roubar os produtos como carne, mandioca e outros.

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