17 Julho 2019

Video Notícias

  • 1
  • 2
  • 3
  • 4
  • 5
  • 6
  • 7
  • 8

Erupção vulcânica: Especialista espanhol desmente informações que lhe são imputadas, diz INMG

  • PDF
Partilhar esta notícia
Segundo Ester Brito, não é de melhor interesse do país alimentar polémicas, sem contar que tal atitude levanta questões éticas e uma manifesta falta de respeito pelas crianças, mulheres e homens enfraquecidos por este drama. Mesmo assim, faz questão de afirmar que foi o próprio geólogo, Nemésio Perez, a desmentir as afirmações que lhe são imputadas na referida narrativa. A presidente do INMG transcreve parte do email do especialista que diz “o publicado pela Agência Lusa – a notícia foi posteriormente retomada pela imprensa nacional e internacional -, assim como está, não reflecte correctamente o expressado por mim de forma fidedigna”. De acordo com com o cientista espanhol, trata-se da interpretação do articulista. Por outro lado, nunca remeteu nada escrito ao INMG, logo este não poderia conhecer o relatório da instituição que representa, como deixou entender o jornalista de que a erupção era iminente desde Março. “O que disse ao jornalista é que em Março de 2014 registou-se um aumento significativo da taxa de emissão de dióxido de carbono pelo vulcão, o que implicava um incremento da pressão de dióxido de carbono no sistema Vulcânico”, lê-se no email endereçado ao MAHOT. O cientista explica que produziu o relatório e enviou à comunicação social canarinha, com conhecimento “dos meus colegas da Uni-CV”, no qual “limitei a expressar uma informação científica, sem entrar no uso de adjectivo algum. Nunca remeti qualquer escrito ao INMG”, sublinha. Imprevisibilidade do vulcão A presidente cita ainda o geofísico português, Rui Fernandes, que esteve envolvido na monitorização da erupção de Chã das Caldeiras até o dia 03 de Dezembro que, em entrevista ao canal SIC Notícias, confirmou a imprevisibilidade de um vulcão e a improbabilidade de se conseguir prever com exactidão a sua entrada em erupção. Fernandes sublinhou ainda o excelente trabalho feito pelas equipas tanto na monitorização quanto da protecção civil, refere Ester Brito, realçando que são vários os autores com conhecimento na matéria afirmam que a monitorização de vulcões deve ser multiparamétrica, a começar pela sismologia, até hoje o melhor método utilizado, visto que permite detectar alterações no solo para conduzir à previsão de uma erupção. “Foi partindo dessas regras, o INMG instalou em 2011 a primeira componente de vigilância do vulcão do Fogo. São um total de nove estações simométricas instaladas na Brava (duas) e no Fogo (sete). Um ano mais tarde foi instalada a segunda componente, composta por três estações inclinométicas, destinadas à vigilância da deformação do solo. Desde então, o INMG tem vindo, diariamente, a acompanhar e caracterizar os registos geofísicos das ilhas de Fogo e Brava”, explica. Em Abril deste ano, tiveram conhecimento da página internet da Uni-CV, que referia a um aumento da emissão de dióxido de carbono (CO2) na Chã das Caleiras. Porém, não fazia qualquer referência explicita sobre alerta de reactivação vulcânica e onde. Na parte final, fazia-se referência ao aumento da pressão do CO2 no sistema hidrotermal do vulcão. Nessa altura, uma docente da universidade, em entrevista à RCV, referiu ao aumento que, segundo a mesma, não era preocupante, à condição de que não houvesse um incremento na emissão. “O INMG continuou a análise de dados e verificamos que não houve alteração significativa do comportamento do vulcão em relação à linha de referência, a não ser as constantes variações de eventos sísmicos de origem hidrotermal registados desde a entrada em funcionamento da primeira rede de monitorização do Vulcão do Fogo, em 1999. Por isso, o Instituto admitiu também que o aumento de CO2 tinha origem hidrotermal”, relata a presidente do INMG. Ester Brito aproveita para esclarecer que o Governo, através do Instituto, tem feito importantes investimentos no sector da geofísica e conta com parcerias frutíferas, nomeadamente do Projecto MIA-VITA financiado no âmbito do 7º Programa Quadro da União Europeia. Cabo Verde tem condições para monitorizar o vulcão Cabo Verde tem condições para monitorizar toda a actividade sísmica no país, particularmente na ilha do Fogo. E foi no quadro desse sistema que a autoridade geofísica fez previsões atempadas da erupção em curso, que acabou por ser confirmada. “A monitorização pelo INMG nos meses anteriores a Outubro mostrou que o nível de actividades se manteve constante (Nível 1). As autoridades são informadas somente quando se atinge o nível 3, sem, no entanto, se alarmar a população. Em Outubro, começou-se a registar eventos do tipo Vulcano-Tectónicos (VT) muito profundos, subindo o nível de alerta 1 (normal) para 2. O Sistema Nacional de Protecção Civil e Bombeiros (SNPCB) foram informados do estado de apreensão no dia 17, tendo sido igualmente recomendada a preparação de um plano de emergência”. Durante os meses de Outubro e Novembro, a actividade sísmica variou muito em número de eventos. Mas, no dia 21 de Novembro, registou-se uma tempestade sísmica localizado a 2-3 km abaixo do nível médio do mar, mesmo em baixo do Pico do Vulcão. À noite do mesmo dia, o número de eventos sofreu um aumento significativo e o nível de alerta foi, então, subido para 3. No dia seguinte, 22, o número de evento continuou a aumentar, localizados, praticamente, no mesmo sítio dos anteriores. Por volta das 12h foi comunicado às autoridades (Presidente da Protecção Civil) a mudança de nível, informando de que havia uma probabilidade iminente de erupção, descreve esta responsável. Durante o dia, o número de VT continuou a aumentar com a mesma localização. Às 19h46 os sismos começaram a ser sentidos pela população da Chã das Caldeiras. Foi então que, de forma informal e disfarçada, foi dado a entender que se estava na iminência de uma erupção e foi aconselhado o começo da evacuação. A tempestade sísmica iniciada no dia 21 culminou na madrugada do dia 23 de Novembro. Foi registado um número muito grande de eventos com localizações similares às anteriores. Por volta das 05h00, os sinais de inclinometria de duas estações (FGMB e FGPP) começaram a mostrar a formação do filão. O nível foi alterado para 4. Ao mesmo tempo, passou a registar-se uma relativa acalmia sísmica em termos de VT. “Deve-se realçar que, no decurso desta erupção, o magma ascendeu com velocidades superiores às habituais. Foi assim que na madrugada de 23 de Novembro, foi feita uma estimativa de que a erupção deveria começar num período muito curto, entre dois e quatro dias. A informação foi transmitida, via telefone, ao Presidente da Câmara de Santa Catarina. Porém, quando foi observado o máximo nos sinais inclinométricos, foram feitas correcções e o nível de alerta foi alterado para 5. Assumiu-se que a erupção poderia iniciar a qualquer momento”.
Leia ainda - Artigos mais recentes: