17 Dezembro 2018

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Ilha do Fogo: Projecto “práticas agroecológicas resilientes” beneficia mais de 60 mil pessoas (c/áudio)

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São Filipe, 23 Nov (Inforpress) – O projecto “práticas agroecológicas resilientes e comercialização participativa como instrumento de nutrição escolar e segurança alimentar comunitária”, apresentado hoje, beneficia cerca de 65 mil pessoas de entre alunos e populações rurais de Santo Antão e do Fogo.

O projecto enquadra-se no programa lançado pela Agência Regional de Alimentação e Agricultura (ARA) visando a construção de segurança de rede comunitária no meio rural e tem por finalidade proteger e reforçar os meios de subsistência as comunidades rurais das duas ilhas através de fortalecimento das capacidades de produção agrícola resiliente, organização social comunitária e acesso ao mercado institucional das cantinas escolares do pré-escolar e ensino básico.

O director executivo da Associação dos Amigos da Natureza (AAN), Aguinaldo David, disse que a iniciativa nasceu para responder uma convocatória lançada pela ARA com financiamento de Agencia Espanhola de Cooperação Internacional para o Desenvolvimento (AECID) de cerca de 270 mil euros e a CEDEAO, com cerca de 81 por cento (%) e o restante é comparticipação local, através dos proponentes, CERAI e AAN e seus parceiros como Ministério da Agricultura e Ambiente e Ficase.

“As ilhas do Fogo e de Santo Antão entram por serem as que apresentam um índice de vulnerabilidade maior de acordo com análise dos riscos e vulnerabilidades”, disse Aguinaldo David, indicando que o projecto tenta responder à vulnerabilidade que é a fase de crise e de pressão, criando respostas resilientes para garantir a segurança alimentar quer das populações quer dos alunos, já que o projecto vai trabalhar essencialmente com produção de sequeiro, nomeadamente feijões.

A AAN começou a sua colaboração com a ilha do Fogo na década de 80 do século passado com a reflorestação das zonas altas a base de fruteiras, regressou nos anos 90 com projecto na área de reforço da capacidade local de pecuária com introdução de animais de raças melhoradas e capacitação de jovens nessas actividades, assim como realização de intercâmbios e formação na área de secagem de frutas, e depois de uma ausência volta com este processo em parceria com o CERAI.

O coordenador do Centro de Estudos Rurais e Agrícolas Internacional (CERAI), Adriano Palma, que fez a apresentação do projecto, disse que as actividades são construídas sobre as necessidades detectadas no quadro harmonizado e tipologia de riscos, tendo sido identificado um risco de tipo um e outro do tipo três.

Segundo o responsável esta iniciativa corresponde a solução de reacção à insegurança alimentar devida a seca ou a situações de deficit por factores exógenos como a deficiência ou dificuldades em ter capacidade de investimento, de acesso a crédito ou de cooperação para poder aceder a formação ou ferramentas de produção, observando que o projecto foi elaborado nestas duas vertentes, incidindo mais na parte de produção, nomeadamente de leguminosas nas duas ilhas.

O produto será reencaminhado de uma forma colectiva, através de alianças produtivas, para o mercado, devendo antes passar pela fase de pós colheita (empacotamento) para depois seguir o caminho de mercado institucional (cantinas escolares).

O projecto, segundo Adriano Palma, permite ter um contrato agrícola como instrumento de segurança e garantia entre os agricultores, através de pagamentos, e estimula o agricultor a associar-se para resolver algumas situações como aparecimento de pragas, assim como o de transporte.

“Decidimos implementa-lo num produto de sequeiro que é um produto das zonas de intervenção geográfica, mas também por uma questão cultural/gastronómica”, disse o coordenador de CERAI para quem era relevante fazer algo e intervir antes que todo o conhecimento e biodiversidade acumulado em Cabo Verde ao longo de centenas de anos tenha perdido devido a êxodo rural com migração das pessoas para o centros urbanos e perda de capital e capacidade humana.

O projecto tem a duração de 21 meses e conta com um financiamento global de 243 mil dólares (cerca de 23 mil contos) e é implementado nos três municípios de Santo Antão e nos três da ilha do Fogo, beneficiando 12.554 alunos do pré-escolar e do ensino básico e 53 mil pessoas das populações rurais.

Tem três eixos, sendo o primeiro “reforço das capacidades produtivas gestacionais”, o segundo, “cooperativas, alianças, contratos e acesso ao mercado” e terceiro “informação, capacitação e advocacia” devendo trabalhar com seis associações de desenvolvimento comunitários das ilhas com envolvência de um grupo de cerca de 300 produtores.

O CERAI está presente em Cabo Verde há 10 anos, tendo começado pela ilha de São Vicente. Chegou depois a Santo Antão, e agora com a parceria estratégica com AAN começou a disseminar os conhecimentos agroecologias para as outras ilhas, nomeadamente São Nicolau, Santiago e Fogo, sendo que nesta ultima está activo há um ano com o projecto Rotas do Fogo financiado pela União Europeia e implementado pela organização não-governamental italiana COSPE.
JR/CP

Inforpress/Fim

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