14 Novembro 2018

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Ilha do Fogo: Presidente da câmara de Santa Catarina propõe encontro de urgência para analisar traçado de estrada 

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São Filipe, 31 Out (Inforpress) – O presidente da câmara Santa Catarina, Alberto Nunes, propõe a realização de um encontro com carácter de urgência para avaliar o traçado da estrada Cova Tina/Portela/Bangaeira, como forma de evitar o “consumo exagerado” de áreas agrícolas.

Em Chã das Caldeiras, várias pessoas têm mostrado “descontentamento” com o trajecto da estrada, porque “afecta várias parcelas de terrenos agrícolas” que restaram das últimas erupções vulcânicas e, inclusive, a “destruição de várias plantas fruteiras” como videira, macieira e outras culturas, que garantem a sobrevivência da população.

Na sequência das várias opiniões manifestadas pelos moradores de Chã das Caldeiras relativamente ao traçado da estrada, Alberto Nunes, que na semana passada visitou a obra acompanhado de técnicos da empresa construtora, esclareceu a população quanto a preservação da área agrícola, indicando que um encontro envolvendo a própria comunidade será realizado, nos próximos dias, com esta finalidade, “evitando que seja deturpado aquilo que na verdade acontece”.

“Na semana passada estivemos na Caldeira para inteirar da obra e fui acompanhado da equipa da empresa construtora e identificamos todos os lugares que estão com problemas, há lugares críticos e outros menos críticos”, disse Alberto Nunes, indicando que há sítios onde a estrada vai ocupar “grandes áreas agrícolas”, mostrando-se, assim, em parte, de acordo com a reivindicação dos agricultores.

O autarca advoga que tendo em conta que nas erupções vulcânicas se perdeu uma “parte significativa” de propriedade agrícola, e como forma de evitar a perda de mais área cultivável, considera que os agricultores “têm razão para propor uma outra via” para o troço de estrada, sem prejudicar o espaço para agricultura.

“A questão está acertada entre a câmara e a empresa construtora para realização dos trabalhos, apenas no espaço onde não estão em conflitos”, afirma Alberto Nunes, confirmando o envio de uma carta à ministra das Infra-estruturas, Eunice Silva, no sentido de promover um encontro, dada a particularidade da obra, entre a câmara, o Ministério das Infra-estruturas, o Instituto de Estradas, o Parque Natural do Fogo, empresa construtora, o Gabinete Técnico do M_EIA e a comunidade de Chã das Caldeiras para se encontrar a “melhor solução” para o traçado da estrada.

Alberto Nunes indica que alguns propõem que a estrada devia passar na via anterior consumida pelas lavas, que seria “mais rápido e económico”, mas assinalou que como a aérea agrícola fica no sopé da Bordeira foi a própria edilidade que propôs que a estrada passasse por estes lugares, mas sem consumir terrenos agrícolas, para facilitar o escoamento de produtos e beneficiar a população.

O edil defende a construção do troço, mas “sem prejudicar terrenos agrícolas”, para beneficiar a circulação das pessoas e escoamento dos seus produtos de forma “mais rápida”, tranquilizando a população de que se vai encontrar uma solução nos próximos dias, envolvendo a comunidade de Chã das Caldeiras.

Segundo o mesmo, as obras vão continuar nos espaços que não afectam o terreno agrícola até a realização do encontro para ver a melhor solução, embora avance que qualquer solução extra a ser encontrada vai mexer com a qualidade de estrada.

“A preservação do espaço agrícola vai mexer com qualidade e a estrada vai ter muitas curvas e aumenta até o custo da obra”, conclui o edil de Santa Catarina do Fogo.

O troço entre Cova Tina e Bangaeira, passando por Portela, tem uma extensão de pouco mais de 11 quilómetros (11.260 metros) e praticamente devia seguir o traçado do troço de terra batida que vem sendo utilizado desde a erupção vulcânica de 23 de Novembro de 2014, que destruiu a via principal de acesso a Chã das Caldeiras, e representa um investimento na ordem dos 109 mil contos, cerca de 10 mil contos por cada quilómetro.

Esta é uma “infra-estrutura importante”, no dizer das autoridades, quer locais quer nacionais, porque vai “desencravar Chã das Caldeiras”, já que depois da erupção há dificuldades para se chegar a esta localidade, nomeadamente de tempo, de custo e falta de comodidade nos carros, que “serão ultrapassados dentro de 10 meses” com a conclusão da obra.

A sua execução vai “melhorar o acesso” à localidade turística de Chã das Caldeiras, contribuindo assim para uma “melhor circulação” de pessoas e bens, imprimindo uma “maior dinâmica” ao sector de turismo e no escoamento dos produtos agrícolas, satisfazendo uma reivindicação dos moradores de Chã e dos que utilizam a via, desde a última erupção.

Além do troço Cova Tina/Portela/Bangaeira, também foi adjudicado o troço carroçável entre Piorno e Campanas de Cima (saída via norte), que representa um investimento do Governo na ordem dos 300 mil contos.

JR/AA

Inforpress/Fim

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