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Educação em Cabo Verde deve melhorar em qualidade e pertinência – ex-PR Pedro Pires

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Cidade da Praia, 29 Out (Inforpress) – O ex-Presidente cabo-verdiano Pedro Pires considera que “a melhoria da educação em qualidade e pertinência seria um ganho extraordinário para o desenvolvimento” de Cabo Verde, que recuperou a terceira posição no Índice Ibrahim de Governação Africana 2018.

Pedro Pires, que ganhou o prémio Ibrahim 2011, que distingue a excelência na liderança africana, falava à agência Lusa a propósito da divulgação do Índice Ibrahim de Governação Africana 2018, que avalia 54 países.

Neste índice, Cabo Verde recuperou a terceira posição, mas regista uma tendência de “deterioração acelerada” na última década.

O país somou pontuação de 71,1 pontos numa escala de 100, contra 72,2 pontos no ano passado, sendo apenas superado pelas Ilhas Maurícias (79,5 pontos) e Seicheles (73,2 pontos).

Para Pedro Pires, do ponto de vista global “há uma evolução positiva que é reconhecida, mas não há grandes transformações”.

“O importante é a tendência que poderá abrir o caminho para outras mudanças, progressos em matéria de governação”, afirmou.

O ex-Presidente da República de Cabo Verde sublinha que o relatório chama a atenção para alguns aspetos que considera importantes e outros que classifica de contradições, como os desafios que derivam do ritmo de crescimento económico e a taxa de crescimento das populações, que “cria tensões”.

“São milhões de jovens que entram para o mercado de trabalho nos vários países africanos. Como resolver isto? Isso coloca lado a lado a questão do emprego, mas também da formação, da capacitação”.

Para o ex-chefe de Estado, a educação “é um desafio” para estes países: como fornecer “uma educação de qualidade, mas ao mesmo tempo pertinente, que sirva, que dê resposta à procura do mercado e às ofertas?”, questionou.

“Podemos ter boa educação, mas ela não é pertinente, não está adequada ao mercado de trabalho”, disse.

Por esta razão, Pedro Pires questiona-se sobre se a formação que o sistema de educação fornece aos jovens cabo-verdianos é pertinente e dá resposta aos desafios e às necessidades.

“A melhoria da educação em qualidade e pertinência seria um ganho extraordinário para o desenvolvimento do país”, adiantou.

Outro indicador que Pedro Pires gostaria de ver melhorado é ”o lado da protecção dos direitos e da justiça, para que o cidadão se sinta mais seguro no seu país”.

Sobre a classificação de Cabo Verde, disse que o país está “bem posicionado” em matéria de governação em África.

“Está no terceiro lugar, mas já esteve no segundo. A situação é boa, tendo em conta os 54 países avaliados. É uma boa posição”, considerou.

“Cabo Verde tem os desafios que os outros países têm nessa matéria. A questão do emprego, criar emprego, é preciso que acompanhe a necessidade da sociedade e ao mesmo tempo as expectativas. Há uma série de reparos aí, com alguma razão”, disse.

Sobre o mérito deste índice, que resultou da recolha de informação de 35 fontes oficiais, Pedro Pires refere que “não condena nem louva ninguém”.

“Podemos discordar, mas é uma ferramenta importante para o aperfeiçoamento da governação dos países africanos. Apoia, ajuda a descobrir o que pode não estar tão bem”, prosseguiu.

O próximo desafio passa, para Pedro Pires, por “conservar o que se conseguiu e melhorar o que se conseguiu”.

“No mundo nada é eterno, há sempre riscos de regressões. Para evitar riscos de regressão, tem de haver um esforço de se combater, mas através da consolidação dos ganhos”.

De acordo com o índice, e em relação a Cabo Verde, a tendência dos 10 anos desde 2008 passou a ser negativa e o relatório vinca que a avaliação do país tem registado um declínio acelerado nos últimos cinco anos.

Cabo Verde regista piores pontuações em todas as quatro categorias de Segurança e Estado de Direito, de Participação e Direitos Humanos, Desenvolvimento Económico Sustentável e Desenvolvimento Humano.

As subcategorias de Ambiente de Negócios, Infraestrutura e Educação são aquelas que registam uma redução mais acentuada.

Por outro lado, Cabo Verde tem óptimos desempenhos em Transparência e Prestação de Contas e em Desenvolvimento Económico Sustentável, apesar de ter registado um declínio progressivo.

O Índice Ibrahim de Governação Africano (IIAG) mede anualmente a qualidade da governação em 54 países africanos através da compilação de dados estatísticos do ano anterior.

Lusa/Inforpress

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