22 Março 2019

Video Notícias

  • 1
  • 2
  • 3
  • 4
  • 5
  • 6
  • 7
  • 8

Ilha do Fogo: “Os doentes mentais estão mais bem servidos do que anteriormente” – Evandro Monteiro

  • PDF
Partilhar esta notícia

Evandro São Filipe, 04 Out (Inforpress) – Os doentes mentais estão actualmente mais bem servidos do que anteriormente porque dispõem de espaços próprios e são seguidos por uma psiquiatra e uma psicóloga, disse o director do hospital regional São Francisco de Assis, Evandro Monteiro.

Na sequência de denúncias nas redes sociais da manutenção e de uma paciente de foro psiquiátrico juntamente com doentes de medicina, em entrevista a Inforpress, Evandro Monteiro disse que “são dois serviços separados e não misturados, no mesmo espaço”.

Indicou que há necessidade e há projecto privado, de ter outro espaço, porque a saúde mental é uma área delicada que requer melhor articulação e o engajamento de todos, sociedade civil, familiares, serviços sanitários e não uma responsabilidade exclusiva do hospital e dos responsáveis sanitários.

“Mas os doentes psiquiátricos actualmente estão melhores servidos que anteriormente. Antes não tínhamos especialistas e hoje temos uma psiquiatra, disponível 24 hora, e que faz serviços de urgência e ambulatorial, e uma psicóloga que presta serviços diários”, afirma Evandro Monteiro.

O clínico adiantou que neste momento o hospital dispõe de novos serviços de foro psiquiátrico, como a desintoxicação alcoólica e de drogas ditas menores, em articulação com as delegacias de saúde da região sanitária, incluindo os centros de saúde.

Na sua óptica, o serviço está muito bem organizado, apesar de admitir que o espaço físico possa não ser 100 por cento (%) ideal, sublinhando que o hospital tem dado o seu máximo com o que tem para cuidar dos doentes mentais.

Segundo o mesmo existe um projecto privado a ser implementado em articulação com hospital, deixando claro que o objectivo é fazer a separação total entre os dois serviços, sendo que por agora é necessária a boa articulação, observando que a compensação dos doentes é feita no serviço de urgência e quando estiver compensado é enviado para o serviço onde há também doentes de medicina interna, mas são dois segmentos separados.

O promotor do projecto, uma associação de caris religiosa, segundo Evandro Monteiro, já contactou a direcção do hospital no sentido de se criar um centro para internamento prolongado, com financiamento privado e onde o hospital iria comparticipar com apoio técnico e facilitar/ajudar na elaboração de projecto físico.

O hospital já estabeleceu contacto com um arquitecto para elaborar o projecto com o objectivo de apresentá-lo até final do ano à sociedade civil e a partir dai procurar financiamento, observando que é um projecto que espera ver concretizado, apesar de não depender do hospital.

“Internamente com o recrutamento de mais enfermeiros, iremos reforçar o serviço de saúde mental”, disse o director do hospital, que admite a existência de um risco potencial em manter os doentes mentais próximo dos demais, mas assegura que é mínimo, porque, explica, os transtornos de foro psiquiátrico é muito complexo e não há uma garantia de 100%, mas que há todo um percurso e com pessoal interno preparados para esta eventualidade.

O director do hospital regional São Francisco de Assis reconhece que há vários casos de pessoas com patologia psiquiátrico a nível da ilha e há um levantamento que está a ser seguido, apelando para a comparticipação dos familiares, da sociedade civil e de outras estruturas afins para ajudar o hospital a prestar um serviço melhor.

“Não vale a pena tratarmos os pacientes sem a co-responsabilidade dos familiares e da sociedade civil que não colabora”, disse o director do hospital, indicando que quando o hospital envia um paciente para o domicílio, os familiares têm a responsabilidade de levá-lo aos hospitais e as delegacias de saúde, e a sociedade civil tem de comparticipar e colaborar em todo esse processo.

“As doenças de foro psicológico e psiquiátrico são doenças crónicas e há um período de agudização e outro de estabilização e precisa da colaboração de todos”, disse sublinhando que os espaços onde os doentes estão é o melhor que o hospital dispõe desde que começou a tratar de doentes de foro psiquiátrico, inclusive do ponto de vista técnico e o risco de eventuais problemas ligados a coexistência, é mínima.

“O risco de uma agressão na rua ou fora do hospital é maior do que dentro do hospital onde estão sedados, tratados e com pessoais preparados para fazer contenção”, disse Evandro Monteiro, indicando que sempre que for necessário conta com a colaboração e ajuda dos serviços policiais.

JR/AA

Inforpress/Fim

Leia ainda - Artigos mais recentes: