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São Filipe/Autárquicas/Balanço: Oposição atribui nota negativa enquanto situação considera satisfatório o desempenho da edilidade

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São Filipe, 19 Set (Inforpress) – As duas forças políticas da oposição na Assembleia Municipal de São Filipe (Fogo), PAICV e GPAIS, atribuem nota negativa ao desempenho da edilidade nos dois primeiros anos de governação enquanto a situação, o MpD, classifica de “satisfatório”.

Para Aquiles de Pina Barbosa, líder do Grupo Por Amor Incondicional a São Filipe (GPAIS), o desempenho “é bastante negativo” tendo em conta os empréstimos contraídos e as transferências do Estado que aumentaram “consideravelmente”.

“O ritmo das obras herdadas no valor de perto de 800 mil contos é demasiado lento, os empréstimos num valor total de 190 mil contos estão a ser mal utilizados e passamos a ter em dois anos a câmara mais endividada de sempre e com uma taxa de execução pior do que nunca”, referiu o líder do GPAIS, notando que, nestes dois anos, a câmara “não implementou ainda nem 50 por cento (%) do que vem planificando”.

Este disse que agora a autarquia recebe, entre a taxa do ambiente e a taxa de turismo, mais do que 75 mil contos/ano e já poderia ter comprado pelo menos dois camiões de lixo para a cidade e o interior, ter melhores condições de tratamento do lixo e realizado mais obras no município.

“Não há nada de novo, temos uma câmara sem ideias, com mais dinheiro e menos visão e que está a desacelerar o ritmo de desenvolvimento de São Filipe”, disse o líder do GPAIS, para quem é necessário acelerar a requalificação da cidade e das estradas do interior, dar continuidade aos contactos iniciados pela autarquia anterior para a implementação da rede de esgotos da cidade, incentivar a implementação dos projectos privados e mobilizar novos investidores, além de concluir os grandes projectos herdados e já financiados.

Para o PAICV, força política que governou São Filipe durante 24 anos, os dois primeiros anos da equipa de Jorge Nogueira ficou marcado pelo “fraco investimento” em vários sectores.

O líder da bancada, António Cula, disse que o investimento “não satisfaz” as expectativas da população e ficou “aquém do desejado”, quando “a câmara tinha como investir e não o fez”.

Este lembrou que a Assembleia Municipal autorizou à edilidade ,ainda em 2016, a contrair um empréstimo de 170 mil contos, sendo que 150 mil contos eram exclusivos para o investimento, mas, acrescentou, mesmo assim “não foram feitos grandes investimentos” com o agravante do empréstimo de 150 mil contos, que dava para realizar grande parte dos investimentos e ter uma execução orçamental “muito grande”, ter sido disponibilizado de uma só vez, de desembolso parcelar mediante apresentação de projectos, estando assim a pagar juros sobre dinheiro parado.

António Cula adiantou que a autarquia programou o arrelvamento dos campos de São Loureço e Lém, mas que apenas o de São Lourenço recebeu a relva e o custo da obra representou um “valor muito superior” ao orçamento para os dois campos, quando se fez apenas um, tendo a câmara adquirido, segundo ele, parte do material que está ao sol há mais de um ano à espera de ser usado no campo de Lém.

A melhoria do estádio 5 de Julho que representava um “investimento de fundo”, a reabilitação/construção das placas desportivas, campos relvados prometidos estão à espera para serem concretizados, disse o líder do PAICV na Assembleia Municipal, indicando que a requalificação de bairros e habitação social tem estado a ser feito, mas apenas na cidade.

Este entende que a governação ficou “aquém” do esperado e apontou outros projecto como o de ligação de água a Campanas de Cima, o atraso no pagamento de propinas dos estudantes, sustentando que a execução orçamental está “muito abaixo” da expectativa e situa-se na ordem dos 50 e poucos por centos, o que é, na sua óptica, “demasiado pouco” para um município “ambicioso” como o de São Filipe.

“As necessidades das pessoas não foram satisfeitas numa altura em que há disponibilidade financeira para tal e a câmara com recursos deixa as pessoas a sofrerem”, queixou-se o líder da bancada do PAICV, esperando que, pelo menos, nos dois próximos anos a actual equipa cumpra parte dos projectos para o desenvolvimento de São Filipe.

Para o líder da bancada municipal do Movimento para a Democracia (MpD-situação), José Henrique Freire Andrade, o balanço é “positivo”, muito embora algumas dificuldades encontradas no início do mandato, nomeadamente uma instituição “sem recursos financeiros” e com uma “dívida exorbitante” perante os fornecedores e instituições financeiras, situação agravada, no ano seguinte (2017) e este ano, com a problemática do mau ano agrícola que assolou todo o país.

“Mesmo assim, a câmara teve uma prestação positiva com realizações e criação de postos de trabalhos em todas as localidades do município”, disse o líder do MpD na Assembleia que considera, “com o devido reparo”, que o balanço é “positivo” nos dois anos.

Este disse que o sector de habitação social mereceu “atenção especial” nestes dois anos com construção/reabilitação de dezenas de moradias sociais para pessoas mais carenciadas, quer na cidade como nas zonas rurais, mas também o sector do desporto, com destaque para o campo de São Lourenço e outros projectos para campos de Patim e Ponta Verde, além de outras infra-estruturas desportivas.

Para o resto do mandato, José Henrique Freire Andrade, acredita que é possível cumprir aquilo que foi a promessa eleitoral, observando que neste momento a câmara atingiu “velocidade cruzeiro” em termos de realizações, tem grandes projectos em carteira como a requalificação urbana e da orla marítima e mostra-se convencido de que irá acelerar os trabalhos nos dois últimos anos de governação, sublinhado que a autarquia está com “saldo positivo” e com todas as condições para avançar com os projectos que constam da plataforma eleitoral.

Segundo o mesmo, nos dois anos que restam a edilidade deve dedicar atenção a todos os sectores de actividade, porque, considerou, o desenvolvimento tem de ser harmonioso e não se pode priorizar um sector em detrimento de outro, apesar de reconhecer que existem sectores, como o turismo, que não foi bem explorado pelas câmaras anteriores e por isso “deve merecer mais atenção”.

A equipa camarária liderada por Jorge Nogueira tomou posse a 28 de Setembro de 2016.

JR/ZS

Inforpress/Fim

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