19 Julho 2018

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Primeiro Frei Franciscano Capuchinho da Cidade de São Filipe é ordenado domingo

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*** Por Jaime Rodrigues, da Agência Inforpress***

São Filipe, 07 Jul (Inforpress) – Flávio Camilo Correia de Pina, natural de São Filipe, originário de uma família católica, vai ser ordenado como o primeiro Frei Franciscano Capuchinho desta cidade e o segundo padre da Paroquia da Nossa Senhora da Conceição, depois de Egídio dos Santos.

Em conversa com a Inforpress, este jovem, que domingo vai ser ordenado, numa missa celebrada pelo bispo de Mindelo, Dom Ildo Fortes, disse que recebeu influências da família, nomeadamente dos pais, pois o pai viveu há longos anos na Casa Materna, em São Filipe, e a mãe é originária de uma família religiosa (católica) e tem uma tia que é Irmã Francisca.

Mas, explica, a influência maior deve-se ao padre italiano Camilo Tarossa, que chegou à ilha do Fogo na década de 60 do seculo passado, mais concretamente a 30 de Janeiro de 1960 (São Vicente) e que de Setembro de 1961 a Julho de 1992 dirigiu a Paroquia de Nossa Senhora da Conceição.

Aliás, “Camilo”, o seu segundo nome, conforme diz Flávio Camilo, é uma homenagem ao padre italiano, mas também foi contagiado nesta caminhada pelos outros freis capuchinhos, nomeadamente, a alegria de viver e a vivência em comunidade.

Flávio Camilo fez a instrução primária e secundaria na cidade de São Filipe e depois de concluir o ensino secundário na escola Dr. Teixeira de Sousa, rumou para São Vicente para formar em engenharia de telecomunicações no ISECMAR, tendo, depois de três anos e meio concluído o bacharelato (incluindo o estagio que era obrigatório).

Foi na altura de decidir pelo complemento de licenciatura na Universidade de Aveiro, Portugal, explicou, é que decidiu pela vida sacerdotal, pois antes tinha a inquietação vocacional devido a sua ligação à igreja na ilha do Fogo e que deu continuidade na ilha de São Vicente, indicando que no Fogo ministrava catequese, pertencia a grupo de igreja, ao movimento de juventude franciscana (Jufra) que lhe ajudou a conhecer a vida de São Francisco de Assis, além de contactos com Ordem Franciscana Secular, Irmãs Franciscanas, Freis Capuchinhos.

Quando chegou em 2004 a São Vicente, afirma Flávio Camilo, começou a sentir a chamada religiosa e depois de concluído a formação entrou, em 2007, na Casa dos Capuchinhos, na Pedreira, para experiência vocacional, tendo permanecido um ano, e em 2008 foi para outra etapa que é a de “postulantado” na ilha de São Nicolau (Tarrafal) e no ano seguinte (2009) esteve na ilha Brava na etapa denominado de “ano canónico de noviciado” que é uma fase mais intensa de preparação para ver se é aquilo que a pessoa quer.

No final do Noviciado fez a profissão religiosa temporária onde se faz promessas/votos religiosos, no seu caso foi por um período de três anos e as promessas foram obediência, castidade pobreza.

No ano de 2010 deslocou-se a Portugal, para estudos de filosofia na Universidade Católica de Porto onde permaneceu durante três anos e regressou a Cabo Verde para um ano de pastoral fraterno em que a pessoa passa num convento para reflectir se a vida escolhida é na realidade aquela que a pessoa pretende, tendo escolhido a Vila de Ribeira Brava, São Nicolau, para o efeito.

Posto isso deslocou-se a Itália para formação em teologia na região de Reggio Emília, perto de Bolonha, onde esteve entre 2014 a Maio de 2018, tendo regressado para preparar para a ordenação como sacerdotal, mas antes em Itália e enquanto fazia teologia, fez votos religiosos para toda a vida, em que decidiu viver toda a sua vida como frei franciscano, na pobreza, obediência e castidade.

Os Freis Franciscanos Capuchinhos são uma família religiosa que, independentemente de ser padre, pode ser consagrada na igreja onde a pessoa pode trabalhar com todos os tipos de pessoas, mas que, no seu caso concreto, sentiu que foi chamado para dar contributo como padre que é um passo mais a frente.

Flávio Camilo observou que a “ordenação é a conclusão de um percurso de estudo e não vocacional” e que pretende seguir o exemplo da vida de São Francisco de Assis.

Questionado se ser padre assim tão jovem não constitui um problema nos dias de hoje, Flávio Camilo,respondeu que não, mas que é “uma missão desafiante para a juventude de hoje porque pensam que ser padre é uma coisa que está fora da realidade, quando é uma coisa tão normal”.

Disse que a partir do momento em que a pessoa está em condições “é algo normal”, e é por isso, explica, que se faz uma longa caminhada para maturar bem a escolha feita e possa dar contributo para a sociedade e estar atento ao que acontece ao redor.

Ser o primeiro Frei Franciscano Capuchinho desta cidade e o segundo padre da Paroquia da Nossa Senhora da Conceição é para Flávio Camilo, “uma responsabilidade para dar bons exemplos e ter mais padres capuchinhos ou diocesanos, nesta paróquia”.

Considera que a sua vocação e escolha foi um incentivo para outros jovens de São Filipe, salientando que, neste momento, tem mais dois jovens desta cidade, a seguir a vida religiosa que nos próximos anos vão terminar e interroga: “quem sabe daqui em diante teremos sempre candidatos a padre?”.

Para a cerimónia de ordenação, presidida pelo bispo do Mindelo, Dom Ildo Fortes, que foi pároco de Flávio Camilo durante quatro anos, a Paroquia da Nossa Senhora da Conceição preparou o espaço defronte à matriz para albergar os fiéis e pessoas amigas da família de Flávio, poderem assistir condignamente o acto, sendo que muitos familiares deste jovem residente noutras ilhas e na diáspora encontram-se na ilha para o efeito.

JR/CP

Inforpress/Fim

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