21 Janeiro 2019

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GPAIS lança o grito de alerta: «Só não há fome em São Filipe por causa da generosidade da nossa emigração»

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«Só não há fome em São Filipe, por causa da generosidade da nossa emigração! Segurança alimentar é na panela do povo! Não é, nem nos armazéns, nem nas prateleiras». O SOS foi lançado esta segunda-feira, em conferência de imprensa, pelo Grupo Por Amor Incondicional de São Filipe (GPAÍS) de Luís Pires, com assento na Assembleia Municipal, numa dura advertência à Câmara de Jorge Nogueira e ao Governo de Ulisses Correia e Silva, em que põe também de sobreaviso a comunidade emigrada, sobretudo a radicada nos EUA, para a necessidade de apoiar a população de S. Filipe que atravessa uma situação difícil por causa da seca que assola esse concelho do Fogo.

Para a Comissão Permanente do Grupo Por Amor Incondicional de São Filipe, quem vê a triste paisagem da zona sul de S.Filipe, fica com a sensação de que ali nunca choveu. O cenário é quase igual, em toda a ilha, salvo nos sítios escolhidos a dedo para determinadas visitas de ocasião. «É por isso que vos pedimos caras e caros emigrantes: - continuem a apoiar directa e carinhosamente os vossos familiares e amigos aqui na ilha. Nós que estamos aqui, vamos solicitar às alfândegas que tenham mais consciência desta triste realidade, que tenham alguma compaixão e baixem as taxas, ao menos para os bidões que trazem "Azágua" do estrangeiro, para socorrer a população».

O Líder do GPAIS lembra que, em Novembro de 2017, tinha proferido uma conferência de imprensa em que chamou a atenção da Câmara e do Governo, alertando para a situação que se viver hoje no concelho. «A pura realidade é que os animais estão a morrer e muitas pessoas a perecerem. As medidas que não foram totalmente ignoradas, foram insuficientemente implementadas pela Câmara e pelo Governo», referiu.

Medidas alternativas

Dirigindo-se aos emigrantes e às autoridades locais e nacionais, Luís Pires considera que o 2018 continua extremamente difícil e é por isso que estamos a apelar. Por isso, propôs um pacote de 10 medidas que pretende levar à Câmara e a todos os serviços implicados: «1 - Diminuição do valor das taxas alfandegárias para bidões contendo gêneros alimentícios, destinados às famílias mais pobres; 2 - Isenção, já em setembro, de taxas de matrícula nas escolas públicas, para alunos com mais dificuldades financeiras; 3 - Isenção de propinas nas Escolas Secundárias, conforme promessas de campanha e também por causa das reais dificuldades dos pais e encarregados de educação; 4 - Aplicação de tarifas sociais para o consumo de água e de energia, conforme defendemos em finais de 2015;5 - Diminuição do preço da água para a agricultura de regadio;6. Mobilização atempada de sementeiras e de recursos financeiros para ajudar os agricultores mais pobres, neste novo período das águas;7 - Conclusão do projecto de ligação de água a Campanas de Cima; 8 - Implementação dos vários restantes projetos municipais herdados, num valor superior a 750 mil contos; 9 - Criação, com a urgência possível, de alternativas ambientalmente sustentáveis, para a grave situação da areia na ilha; 10 - Realização de mais obras no município para que o povo possa trabalhar e ganhar o seu próprio dinheiro».

Para o líder do GPAIS, se há dois/ três anos as empresas Armando Cunha, Maltauro, CPTP, Monte Adriano, MTCV, Engeobra, empreiteiros locais, emigrantes e particulares empregavam, a um só tempo e permanentemente, milhares de chefes de família, hoje a ilha inteira está praticamente parada e sem perspectivas.
«Os poucos trabalhos pontuais, por pouco tempo e mal pagos do plano de mitigação, estão longe de dar satisfação a este cenário dramático, assombrando a ilha. Nestes momentos mais difíceis, o apelo maior a se fazer é no sentido de nos libertarmos de todas as amarras político-partidárias que nos separam para, conjuntamente, pensarmos Djarfogo, pondo tónica apenas naquilo que nos une: sentarmos à mesma mesa, pensarmos conjuntamente, levantarmos e trabalharmos ‘Pa grandeza di Djarfogo ‘. Contem connosco», conclui Luís Pires,

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