19 Maio 2019

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Ilha do Fogo: “Só não há fome em São Filipe por causa da generosidade da emigração” – GPAIS

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São Filipe, 18 Jun (Inforpress) – A comissão permanente do Grupo Por Amor Incondicional de São Filipe (GPAIS) considerou hoje que “só não há fome em São Filipe, por causa da generosidade da emigração”.

Em conferência de imprensa para manifestar a preocupação sobre a difícil situação por que passa a população, o líder do GPAIS, Luís Pires, anotou que na falta da necessária e merecida atenção por parte do poder público o seu grupo está a lançar, em nome do povo, um SOS à emigração.

Disse que a “a triste paisagem da zona sul dá a sensação de que ali, nunca choveu”, acrescentando que o “cenário é quase igual, em toda a ilha, salvo nos sítios escolhidos a dedo para determinadas visitas de ocasião”.

Perante a “situação dramática” que a ilha do Fogo vive, o GPAIS, considera o plano para mitigação dos efeitos do mau ano agrícola como sendo para um ano normal e não de crise, classificando-o de “demasiado insuficiente”.

Para Luís Pires, a situação não decorre de falta de recursos mas da ausência de plano para situações práticas do terreno, que tenha em conta a realidade e que estabeleça prioridades das prioridades, que, segundo o mesmo, é fazer com que a população viva melhor e salvar o pouco que tem, nomeadamente o gado.

“É por isso que pedimos aos emigrantes que continuem a apoiar os familiares e amigos na ilha”, afirmou Luís Pires, indicando que a nível local vai solicitar às alfândegas que “tenham mais consciência desta triste realidade, que tenham alguma compaixão e baixem as taxas, ao menos para os bidões que trazem “azágua” do estrangeiro, para socorrer a população”.

O GPAIS relembra que, ainda em 2017, chamou atenção da câmara e do governo e, antevendo a situação que está-se a viver hoje, em que os animais estão a morrer e muitas pessoas a perecer, mas que as medidas não foram totalmente ignoradas, mas insuficientemente implementadas.

O GPAIS volta a propor à câmara e ao governo a implementação de um conjunto de medidas como a diminuição do valor das taxas alfandegárias para bidões contendo gêneros alimentícios, isenção, em Setembro, de taxas de matrícula nas escolas públicas e de propinas, para alunos com mais dificuldades financeiras e aplicação de tarifas sociais para a água e a energia.

A diminuição do preço da água para a agricultura de regadio, mobilização atempada de sementeiras e de recursos financeiros para ajudar os agricultores mais pobres, conclusão do projecto de ligação de água a Campanas de Cima, implementação dos projectos municipais herdados, criação de alternativas ambientalmente sustentáveis, para a “grave situação” da areia e realização de mais obras no município para que o povo possa trabalhar e ganhar o seu próprio dinheiro, são outras medidas defendidas pelo GPAIS.

Segundo o líder do GPAIS, se há dois/três anos havia milhares de chefes de família empregados, hoje, a ilha inteira está praticamente parada e sem perspectivas, anotando que os “poucos trabalhos pontuais, por pouco tempo e mal pagos” do plano de mitigação, estão longe de dar satisfação a este “cenário dramático” assombrando a ilha.

“Nestes momentos mais difíceis, o apelo maior é no sentido de nos libertarmos de todas as amarras político-partidárias que nos separam para, conjuntamente, pensarmos Djarfogo (ilha do Fogo), pondo tónica apenas naquilo que nos une”, defendeu.

JR/CP

Inforpress/Fim

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