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Campanha de solidariedade no Luxemburgo para ajudar deslocados do vulcão do Fogo

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Actualizado a 20/12/2014, 08:34 Luxemburgo, 20 Dez (Inforpress) - Uma dezena de associações cabo-verdianas no Luxemburgo estão a recolher alimentos à porta de um supermercado português para ajudar a ilha do Fogo, uma campanha que se prolonga até domingo e está a conquistar muitos portugueses. À entrada do supermercado Primavera, na capital luxemburguesa, os voluntários do projecto SOS Vulcão do Fogo não têm mãos a medir: distribuem sacos aos clientes, recolhem os contributos e fazem a triagem dos produtos em caixotes e contentores, que vão depois ser enviados para Cabo Verde para ajudar os desalojados pela erupção vulcânica. "A reacção está a ser muito boa, e a comunidade portuguesa tem-nos ajudado bastante", disse à Lusa a coordenadora do projecto, Elisabete Montrond. No espaço cedido pelo supermercado português para armazenar os produtos, que começaram a ser recolhidos na quinta-feira, acumulam-se já muitos sacos de arroz, massas, farinha e açúcar, além de conservas, leite ou produtos de higiene. A maioria dos artigos são portugueses, mas há também quem faça questão de deixar produtos cabo-verdianos, como bolachas de São Vicente ou ingredientes para o prato tradicional cabo-verdiano, a cachupa, que o supermercado também vende. "Por incrível que pareça, foram portugueses que compraram estes produtos cabo-verdianos", contou Elisabete, apontando para vários sacos de 'favona', um feijão típico de Cabo Verde. "Ficámos muito sensibilizados, porque achávamos que as pessoas não tinham a noção do que se come lá", disse a coordenadora. Carla da Cruz veio ao supermercado à hora de almoço só para comprar um desodorizante, mas acabou por sair também com um saco cheio de comida para ajudar os desalojados. "Tenho acompanhado a situação pela televisão e até já tinha pensado em enviar roupa, mas não sabia como", explicou a imigrante portuguesa. "Se me tivessem pedido dinheiro, tinha hesitado mais, mas comida não se pode recusar a ninguém, é o mínimo que podemos fazer". Por ali já passaram também muitos cabo-verdianos, que representam cerca de nove mil imigrantes no Luxemburgo, segundo a Embaixada de Cabo Verde no país. Cristina Fonseca, natural de São Vicente, ficou satisfeita "por poder ajudar" as vítimas da catástrofe natural que destruiu duas localidades e fez mais de um milhar de desalojados na ilha do Fogo. "É a nossa ilha que está a ser destruída, e é muito triste. Já havia muita pobreza lá, e agora com isto, não sei onde vamos parar", lamentou. Para a encarregada de Negócios da Embaixada de Cabo Verde no Luxemburgo, que também colabora na campanha, a reacção da diáspora cabo-verdiana tem sido "extraordinária". "Toda a diáspora está mobilizada, não só aqui, como nos Estados Unidos e em Portugal, e Cabo Verde já tem um corredor aberto nas alfândegas para permitir que os contributos cheguem mais rapidamente ao seu destino, sem ter de passar pelo crivo da burocracia", explicou Clara Delgado. A coordenadora do projecto também garante que os bens recolhidos vão chegar a bom porto, e há mesmo dois voluntários que vão acompanhar a entrega dos contentores, que deverão ser enviados no início de 2015. "Há muita gente que nos diz: 'A gente dar até dava, mas depois não chega ao destino'. O nosso compromisso de honra é fazer chegar aos destinatários tudo aquilo que este projecto receber", assegurou Elisabete Montrond, que já tem experiência em acções de solidariedade, depois de ter colaborado numa campanha para ajudar a ilha do Fogo, após a erupção de 1995. O projecto SOS Vulcão do Fogo conta ainda com uma conta bancária para recolher donativos, e as associações querem também "reunir apoios" para reconstruir uma escola primária destruída pela lava, em Chã das Caldeiras. "O terreno deverá ser cedido pela Câmara de Santa Catarina, com quem estamos a colaborar, e estamos à procura de parceiros para angariar as verbas", explicou Elisabete Montrond. O vulcão da ilha do Fogo entrou em erupção a 23 de Novembro, tendo destruído Portela e Bangaeira, as duas povoações de Chã das Caldeiras, planalto que serve de base aos vários cones vulcânicos da ilha, e fazendo cerca de 1.300 desalojados. Lusa/Fim  

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