20 Janeiro 2019

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Ilha do Fogo: Edilidade quer atribuir nome de Rolando Lima Barber ao salão nobre dos Paços do Concelho

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São Filipe, 28 Abr (Inforpress) – A edilidade de São Filipe vai atribuir o nome de Rolando Lima Barber “Senhor Zuca”, ao Salão Nobre dos Paços do Concelho de modo a perpetuar a sua memória para as gerações e dar a conhecer o seu legado.

A decisão de aprovar uma deliberação neste sentido, foi anunciada hoje pelo edil de São Filipe, Jorge Nogueira, durante o elogio fúnebre em memória de Rolando Lima Barber, que aconteceu na manhã deste sábado no Salão Nobre.

Na cerimónia o autarca disse que lhe coube a “amarga e pesada responsabilidade e difícil e honrosa tarefa” de proferir o elogio porque enquanto sanfilipense e foguense, fez parte de uma geração de jovens que privou e foi influenciado por senhor Zuca, que classificou como sendo um amigo e “homem excepcional”, pela sua simplicidade e sentido positivo de vida.

Nogueira disse que tem a responsabilidade de exprimir o pesar de todo um colectivo, não só os que trabalham na Câmara Municipal, mas de toda uma ilha a quem este homem serviu como poucos por mais de meio século, acrescentando que todos, desde os mais humildes e anónimos dos foguenses recorda de um gesto ou de um acto dele merecedor de reconhecimento.

Segundo Jorge Nogeira, a dimensão desta figura ultrapassa a do homem comum devido à sua contribuição enquanto servidor da Saúde, dedicou-se de forma abnegada e competente o seu trabalho, de tal arte e sorte que bem cedo pela ilha toda se ouvia dizer que “Senhor Zuca é más qui infermeiro, é quase um doutor” (Senhor Zuca é mais do que um enfermeiro, é quase um médico).

“Se do enfermeiro, homem de Saúde quase doutor, nunca nos esqueceremos, do mesmo modo nunca nos poderemos olvidar do desportista, praticante de futebol e voleibol, que participou na fundação do Boavista da Praia e fundou os clubes Ribeira Brava (São Nicolau) e Sporting (Boavista), e que na ilha do Vulcão, se tornou o símbolo maior do Botafogo, Clube mais representativo”, disse o edil, destacando outros feitos na área do desporto.

No domínio politico, foi o primeiro delegado do Governo do então Concelho do Fogo (1974 e 1985), Deputado Nacional e segundo secretario da Assembleia Nacional Popular que entra na História por ser este colectivo que assina a declaração e proclama a Independência e também aprova a Primeira Constituição da Republica de Cabo Verde, refere Jorge Nogueira.

No domínio da cultura destaca a fundação do “cine-Fogo” em 1970, tendo sido o principal configurador do modelo, que ainda hoje se utiliza para as festas do Municio de São Filipe e de ter sido, em 1988, membro-fundador da única revista literária publicada na ilha do Fogo, “Magma”.

Já a direcção do Botafogo, na pessoa do seu presidente Manuel Maria Anatólio Fonseca “Toly” prestou a derradeira homenagem ao “símbolo maior, ao homem a quem tudo o Botafogo deve, até o nome”, destacando o feito do seu fundador e que foi também “treinador, dirigente, psicólogo, pai para muitos”.

“Incansável e visionário, senhor Zuca, tornou o Botafogo uma referência nacional”, disse “Toly”, notando que ele foi um “extraordinário condutor de homens, tendo feito do Botafogo uma verdadeira família, cuja irmandade ate hoje perdura entre os seus membros”, assegurando que “o comandante jamais será esquecido”.

A cerimónia contou também com uma mensagem da Associação Regional do Futebol, tendo o seu presidente Pedro Pires afirmando que “o futebol da ilha do Fogo está de luto profundo, pois perdeu a sua maior referência, o homem que com a sua acção e pensamento avançado para o tempo, resgatou e fez ombrear a ilha do Fogo ao nível dos melhores de Cabo Verde”.

Pedro Pires destacou ainda a figura humana impar na vida e no desporto de Rolando Lima Barber, senhor Zuca, assim como o profundo respeito, admiração e carinho com que o mundo do futebol cabo-verdiano sempre o tratou, devido a sua competência e verticalidade de caracter.

“Não só o Fogo está de luto como Cabo Verde esta de luto, pois Rolando Lima Barber, para além de outras áreas de referência, era uma figura nacional do desporto de Cabo Verde, particularmente do futebol”, disse Pedro Pires, solicitando à família que dê estampa ao livro que senhor Zuca estava a escrever “que mais não é o retrato da sua vida, uma simbiose entre ele e a ilha adoptiva”.

Em nome dos profissionais de saúde, o director da região sanitária Fogo e Brava, Evandro Monteiro, destacou a forma como o malogrado exerceu a profissão de enfermagem e ajudou os mais desfavorecidos “e soube dar o exemplo de dedicação no sector de saúde”, conseguindo ganhos importantes para o bem-estar da população.

Além das homenagens e da associação do seu nome à sala de reunião da Delegacia de Saúde, Evandro Monteiro defendeu a atribuição de seu nome a uma estrutura com maior dimensão para que o nome de Rolando Lima Barber seja perpectuado na memória colectiva da população da ilha do Fogo.

Em nome dos familiares, a irmã Ester Sequeira agradeceu o elogio fúnebre e as mensagens pela perda daquele que classificou como o “patriarca” da família, indicando que os familiares estão gratos e honrados a toda a população da ilha do Fogo que “adoptou o irmão e que o fez amado na ilha”.

O cortejo fúnebre partiu por volta das 08:00 horas de sábado do hospital regional, passando pela sede do Botafogo, Salão Nobre do Paços de Concelho, residência dos familiares, igreja do nazareno e cemitério onde o corpo foi dado à terra.

JR/FP

Inforpress/Fim

 

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