25 Abril 2018

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Ilha do Fogo: A falta de água em Chã das Caldeiras é um castigo à população que vive na Caldeira – António Monteiro

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São Filipe, 14 Abr (Inforpress) – A falta de água em Chã das Caldeiras, apesar de existir um furo, há quase um ano, é para o presidente da União Cabo-verdiana Independente Democrática (UCID) “um castigo às pessoas que vivem na Caldeira”.

António Monteiro afirmou à Inforpress que o furo de prospecção de água, executado no ano passado (Julho), tem sensivelmente 250 metros de profundidade e o caudal é muito, o que significa, segundo defendeu, que com uma simples bomba de menos cinco kwats poderá resolver a situação.

“Com todo o equipamento não estamos a ver um grande investimento nesta matéria. Se o Estado consegue investir dinheiro no transporte para directores-gerais, secretários de Estado e para outros directores, comprando carros que custam muito dinheiro, entendemos que para uma população que foi severamente castigada pela natureza desde 2014, o Estado deveria investir mesmo que fosse 20 mil contos para que as pessoas pudessem ter água e continuar a desenvolver as suas actividades”, disse António Monteiro, indicando que “infelizmente , até hoje, isso não aconteceu”.

Além da falta de sensibilidade para resolver o problema de abastecimento de água, António Monteiro indica que o “velho” problema de Chã das Caldeiras, que desde 2014 vem arrastando, continua na mesma .

O líder da UCID, que teve um encontro com o edil de Santa Catarina do Fogo, disse que foi informado de que o plano detalhado de Chã das Caldeira (PDCC) já tinha sido aprovado e que haverá em breve intervenção para se poder resolver os problemas das pessoas, mas adianta que é entendimento da UCID, daquilo que constatou no terreno, de que a solução que está sendo apresentado não é a melhor.

“Esperamos que as pessoas que fizeram análise do projecto e estudaram a situação tenham encontrado a melhor solução, pese embora não sermos especialistas e as pessoas com quem temos oportunidade de falar não serem técnicos na área, mas por aquilo que vimos e ouvimos, e devido à própria orografia, entendemos que a solução do assentamento não será de todo a melhor solução”, disse.

António Monteiro, ao concluir a visita, afirma que por aquilo que viu, o Fogo é uma ilha com potencial extraordinário, mas que a novidade é o não aproveitamento desse potencial ou sinais do seu aproveitamento por parte do novo Governo e por isso a “situação no Fogo não é boa”.

Segundo o dirigente partidário, a situação vivida pelas pessoas demonstram que ela não é nada boa, nem a nível social, nem a nível económico, sublinhando que a situação foi agravada na sequência do mau ano agrícola, que acabou por tocar o mais simples do cidadão, que são pessoas que dependem e muito das chuvas para garantir o seu ganha-pão.

O líder da UCID deixou claro que a situação da ilha do Fogo não é idêntica a de outras ilhas de Cabo Verde, observando que o Fogo está no grupo das três ilhas com maior índice de pobreza absoluta, onde cerca de 45 por cento da população vive com um valor inferior a 262 escudos por dia.

A situação não é idêntica ao Maio, Sal, Boavista, Santiago e nem a outras ilhas, afirma o presidente de UCID indicando que a ilha tem problemas graves por depender essencialmente da agricultura, pecuária e das pescas, mas também depende e muito das ligações marítimas e aéreas para poder escoar os seus produtos.

Havendo essas dificuldades em fazer escoar aquilo que se produz na ilha, António Monteiro sublinhou que haverá dificuldade para as pessoas que procuram o seu ganha-pão a partir de agricultura e da pecuária.

Salientou que mesmo com falta de chuvas, as pessoas tentam produzir alguma coisa, mas esta produção acaba por não chegar aos mercados mais concorrenciais , onde as pessoas poderiam ganhar um pouco mais , razão pela qual exorta o Governo a resolver essas dificuldades e a dar mais atenção a esta ilha.

Depois da ilha do Fogo, António Monteiro inicia este sábado uma visita a ilha Brava, para se inteirar da situação social e económica e os impactos do plano de mitigação do mau ano agrícola.

JR/JMV

Inforpress/Fim

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