23 Maio 2019

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Ilha do Fogo: Falta de legislação e quadro regulatório condiciona desenvolvimento da agricultura biológica – engenheiro biológico

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São Filipe, 24 Mar (Inforpress) – A falta de legislação e de um quadro regulatório em Cabo Verde condiciona o desenvolvimento e expansão da agricultura biológica/orgânica, defendeu sexta-feira o engenheiro Mário Barbosa, durante a realização de uma conferência sobre “agricultura biológica”.

Segundo Mário Barbosa,a recomendação para criação do quadro legislativo e regulatório da agricultura biologia vem desde 1997, há 20 anos, altura em que houve o primeiro projecto de banana biológica produzido em Cabo Verde e que chegou a ser exportado para Europa, mas ainda não existe nenhum quadro legislativo nesta matéria.

Segundo o engenheiro biológico, originário de família produtora de café orgânico nas zonas altas dos Mosteiros, em Cabo Verde pratica-se agricultura biológica e orgânica, mas precisa de promoção e esta é uma tarefa das autoridades nacionais juntamente com os produtores, que devem apostar de forma fortíssima para promover este tipo de agricultura.

Para dar melhor garantia ao consumidor final tem de existir o quadro legislativo dos produtos orgânicos, por um lado, e, por outro, é necessário a certificação dos mesmos produtos, afirmou Mário Barbosa, indicando que Cabo Verde tem potencialidades, sobretudo no domínio de fruteiras (banana, caju, papaia, manga), observando que em relação a hortaliças é necessário fazer um outro trabalho para chegar a este ponto.

Na sua apresentação admitiu que a agricultura biológica é cara e demorada, aspecto que poderá afastar os produtores, devido a dificuldades no acesso a determinadas formas de adubos biológico que ainda não existem no mercado interno, mas em contrapartida apresentou uma série de vantagens como a preservação do meio ambiente, preço mais elevado na venda dos produtos, de entre outros.

A conferência sobre “agricultura biológica” teve uma outra parte sobre agroecologia em que a responsável da ONG Italiana, Cospe, que implementa alguns projectos na ilha, apresentou algumas experiências que a organização teve em outras paragens no âmbito de projectos na área de agroecologia.

Carla Cossu, responsável da Cospe na ilha do Fogo, disse que a agroecologia é uma filosofia e que a partilha da experiência enquadra-se pelo facto do projecto iniciado recentemente, “Rotas do Fogo”, tem uma parte das suas actividades ligadas à área de agroecologia.

Com apresentação das experiências, disse Carla Cossu, pretende-se mostrar como se pode utilizar os recursos naturais sem danificar o ambiente, garantir uma melhor alimentação e utilizar o solo como maior respeito.

Segundo a responsável da Cospe, toda a parte do projecto “Rotas do Fogo” relacionada com a utilização e transformação de frutas, a diversificação de produção de queijos tem a ver com a parte de agro-ecológica e muitos conhecimentos novos serão aplicados na ilha do Fogo, que “está bem preparada” para acolher esta filosofia interessante e produtiva.

O café do Fogo, cultivado na área montanhosa e fértil dos Mosteiros, envolto por diversos microclimas e sem presença de produtos químicos, é um exemplo da agricultura biológica/orgânica praticada na ilha, razão porque é procurado pelas grandes empresas internacionais, como a multinacional, Starbucks, que dispõe de maior cadeia de cafetarias do mundo.

JR/CP

Inforpress/Fim

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