21 Maio 2019

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Ilha do Fogo: O Serviço Nacional de Saúde poderá tirar desta experiência nobre um exemplo a seguir – ministro Arlindo do Rosário

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São Filipe, 15 Mar (Inforpress) – O Serviço Nacional de Saúde poderá tirar da experiência nobre da construção do Centro de Cuidados Paliativos um exemplo a seguir no desenvolvimento deste tipo de serviço em Cabo Verde, disse o ministro da Saúde, Arlindo do Rosário.

O titular da pasta da Saúde, que testemunhou quarta-feira, o lançamento da primeira pedra da construção do primeiro Centro de Cuidados Paliativos de Cabo Verde, disse que este conceito e o projecto apresentado dão segurança e o Serviço Nacional de Saúde pode beber desta experiência.

“Dada à nobreza deste projecto, que pretende dar amparo às pessoas numa fase terminal das suas vidas e aos seus familiares, promovendo e disponibilizando cuidados paliativos, o Governo, através do Ministério da Saúde e Segurança Social, manifesta total apoio a esta iniciativa”, garantiu Arlindo do Rosário, acrescentado que esta é uma iniciativa que representa um compromisso com a vida.

O governante rendeu homenagem ao Padre Octtavio Fasano pelo seu “entusiasmo e engajamento” com a causa dos mais vulneráveis, sublinhando que é deste engajamento que nasceu a ideia da construção do centro sócio-sanitário, de que resultou o actual hospital regional Fogo e Brava.

Na ocasião, o ministro observou que o Serviço Nacional de Saúde, apesar das suas fragilidades, resultantes das carências humanas, materiais e financeiras, deve ser motivo de orgulho de todos, pelos resultados alcançados, embora os desafios futuros sejam em número e dimensão consideráveis.

O titular da pasta da Saúde e Segurança Social destacou a necessidade de se mobilizar todas as sinergias, congregação de esforços para apoiar e promover as iniciativas, sobretudo, as da sociedade civil, mas também do poder autárquico.

Por sua vez, na sua intervenção, em nome dos autarcas e da população das ilhas do Fogo e da Brava, Jorge Nogueira destacou a obra da construção do centro de “grandiosa, não tanto pela sua dimensão”, mas pela “qualidade e pelo serviço que poderá prestar para aqueles que nos são queridos”.

O autarca disse na altura que a interiorização da morte pode e deve ser um factor de realização do homem, que a “humanização da morte humaniza a vida”, razão pela qual entender a morte “é entender a vida, e que aprender a morrer é aprender a viver”.

Nogueira salientou ainda que é na dimensão da morte que a morte adquire sentido na vida dos homens e isso traduz naquilo que o Padre Octtavio Fasano pensou, ao idealizar “esta grande obra que nos ajuda a interiorizar, a saber conviver com a morte”.

“Há outras mortes que são bem mais duras e penosas, não só para o paciente, mas sobretudo para os familiares”, disse o edil de São Filipe, que em nome da população das duas ilhas agradeceu o mentor do projecto por mais este gesto que é “expressão daquilo que sente”.

As dificuldades que nestas duas ilha existem por causa da dispersão da população e da situação socioeconómica, muitas famílias, consoladas com a situação dos seus doentes, resignam a aceitar a morte e a viver com a dor do seu ante querido, já que muito dificilmente pode transportá-los para os centros de saúde que estão distantes, acabam por pensar, sofrer, deitar e morrer.

“Este centro vai trazer a vida à vida dessas pessoas, vai fazer com que elas possam viver a vida até a morte e trazer dignidade à pessoa humana, não por pena, mas como um direito”, disse Jorge Nogueira, indicando que o direito aos cuidados paliativos, hoje não é algo feito por pena, caridade e compaixão, e que mesmo aquele que esteja em fase terminal tem direito à dignidade.

Nogueira frisou que esta é mais uma pedra importante que se coloca na construção desse edifício chamado Cabo Verde, e que todos conhecem as outras perdas importantes que Padre Octtavio Fasano colocou, esperando que com a construção do centro possa haver cuidado, dignidade e fazer com que pacientes tenham qualidade de vida mesmo na morte.

JR/JMV

Inforpress/Fim

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