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Ilha do Fogo: A morte é o momento mais importante da existência humana – Cardeal Dom Arlindo Furtado

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São Filipe, 15 Mar (Inforpress) – O Cardeal Dom Arlindo Furtado considerou quarta-feira, em São Filipe, ilha do Fogo, que a morte é o momento mais importante da existência humana.

Dom Arlindo Furtado, que falava durante o acto de lançamento da primeira pedra para a construção do primeiro Centro de Cuidados Paliativos de Cabo Verde Este, explicou que para os cristãos a morte é “um novo nascimento” e que a visão cristão da morte é a “passagem de uma fase de vida para uma outra”.

O líder da Igreja católica cabo-verdiana salientou que assim como no momento da nomeação para um cargo está implícito o momento de destituição e do fim, também as pessoas devem pensar na morte como término, como momento de passagem a uma outra vida.

O Cardeal fez essa introdução para afirmar que o projecto da construção do primeiro Centro de Cuidados Paliativos de Cabo Verde, para acolhimento e tratamento de doentes na fase terminal, veio corroborar aquilo que a Igreja defende, ou seja, a criação de condições para que as pessoas possam aperceber que quando chega o momento de uma “viagem sem retorno” a vida não termina e nem perde o seu valor e sua dignidade.

“Assim como no momento do parto e do nascimento todas as forças se juntam para que a criança nasça sadia e com todas as condições, também no momento de fragilidade em que as pessoas caminham para o limite, todos devem estar com elas para o fim da sua vida com dignidade”, sublinhou o Cardeal.

Na sua intervenção no acto de lançamento da primeira pedra, Dom Arlindo Furtado lembrou que a “vida não acaba mas se transforma” e que todos devem tentar fazer o máximo para garantir dignidade às pessoas na fase terminal, sejam em casa como nos hospitais, acrescentando que quando as pessoas tiverem consciência disso terão a força mímica para enfrentar as fragilidades.

Para o Cardeal, a iniciativa do Padre Octtavio Fasano de construir o primeiro Centro de Cuidados Paliativos de Cabo Verde e o quarto do continente africano, vai ajudar não só as famílias, mas também o serviço público de saúde, na sua tentativa de melhorar a prestação de cuidados de serviço de saúde a esse nível.

“É uma decisão cheia de consequência positiva, que nos ajuda a todos a ter mais piedade”, disse Dom Arlindo Furtado, esperando que esta iniciativa seja um impulso para que a sociedade cresça e “ajude-nos a encarnar a nossa relação com pessoas que precisam de cuidados paliativos com toda a ternura e dedicação a elas”.

O padre Octtavio Fasano, mentor da iniciativa, visivelmente emocionado com a edificação de mais um projecto, confessou que depois de pensar em deixar a missão de Capuchinhos e se dedicar totalmente aos doentes terminais, passou 10 dias de solidão, reflexão e decisão numa montanha, tendo decidido voltar para o trabalho de missão em Cabo Verde.

Regressou porque, conforme explicou, “as pessoas simples e pobres” que conheceu concederam-lhe uma “grande dádiva” e que a força humana e espiritual do povo cabo-verdiano “revolucionou e transformou profundamente a sua vida e não podia deixar Cabo Verde e o seu povo amado”.

No acto do lançamento da primeira pedra para dar vida ao Centro de Cuidados Paliativos “Nossa Senhora de Encarnação”, o mentor do projecto disse que “como os demais, este será construído com ajuda de dezenas de pessoas amigas, de profissionais e centenas de amigos benfeitores italianos”.

“É um trabalho humano grande que me leva a uma reconciliação profunda e cheia de piedade”, disse, lembrando que isso faz descobrir que todo o “Homem é filho de pai único e somos todos irmãos”.

O religiosos disse que é necessário e mostrou-se convencido de que cada um pode realizar algo concreto para dar dignidade à vida e à morte, observando que se deve encontrar uma forma de assistência medica que alivie a dor, através dos cuidados paliativos, e o acompanhamento humano e espiritual que ajudem as pessoas a enfrentar os momentos finais da vida.

O Centro de Cuidados Paliativos, que receberá o nome de “Nossa Senhora da Encarnação”, é um projecto da Associação de Solidariedade e Desenvolvimento (ASDE), elaborado em parceria com a Fundação F.A.R.O., uma organização sem fins lucrativos de Turim (Itália) que, há mais de 30 anos, vem prestando cuidados paliativos de qualidade aos doentes e às suas famílias, diminuindo o sofrimento físico e existencial daqueles que já só esperam a morte.

No acto, o director do hospital regional São Francisco de Assis e da região sanitária Fogo e Brava, que fez apresentação do projecto, fez uma abordagem do projecto, desde a sua origem, seus objectivos, finalidades, áreas de intervenção, de entre outros.

O cuidado paliativo é o recurso dos doentes e seus entes queridos quando se lhes afirma que “não há mais nada a fazer”, mas que na realidade há muito a “fazer” porque muitas são as necessidades do paciente e da sua família.

O Centro de Cuidados Paliativos, que estará funcional em Março de 2019 vai dispor de uma equipa multidisciplinar de especialistas em cuidados paliativos, que incluirá médicos, enfermeiras, psicólogos, fisioterapeutas e assistentes sociais e do campo religioso.

A infra-estrutura, que se localiza a escasso metros do hospital regional, ocupa uma área total de 465 metros quadrados, e terá cinco quartos, sete casas de banho, uma farmácia, uma enfermaria, uma casa de banho para visitantes, uma secretaria, uma casa de banho para enfermeiros, uma cozinha, duas lavandarias, corredor e terraço.

JR/JMV

Inforpress/Fim

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