26 Maio 2019

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Ilha do Fogo: Suifogo “focalizada” na obtenção de certificação do queijo e no lançamento de novos produtos

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São Filipe, 08 Mar (Inforpress) – A empresa Suifogo, cuja área de intervenção é a produção de derivados de pecuária, encontra-se focalizada na obtenção a médio prazo de certificação do queijo e no lançamento de novos produtos no mercado.

O director-geral da Suifogo, Manuel Mendes, disse que desde 2013, altura em que a empresa passou a “apostar fortemente” na produção de queijo, o seu “principal produto” neste momento, investiu na ampliação das instalações.

Assim, construiu mais uma ala, duplicando a capacidade, passando a dispor de mais uma sala de recepção de matéria-prima, espaço para instalação de um laboratório, financiado pela UNUDI no âmbito do projecto “clauster do queijo” e uma sala de expedição, que recebe os produtos acabados antes de encaminhados para os diversos mercados.

O projecto de “clauster do queijo” vai ser implementado a partir de segunda quinzena de Março, e se tudo correr como o planificado dentro, de um ano o queijo produzido pela Suifogo terá certificado de qualidade.

“O objectivo é conseguir a certificação e a empresa está a trabalhar com UNUDI e ARFA, visando este objectivo”, disse Manuel Mendes, observando que além da instalação do laboratório e fornecimento de alguns produtos como reagentes, a empresa está a trabalhar na aquisição de alguns equipamentos.

Mas, sintetizou, também no âmbito do projecto UNIDI, encontra-se a preparar formação de pessoal, formação e organização de processo de controlo, considerado “fundamental” no processo de certificação.

Em relação aos equipamentos, neste momento a empresa investiu na aquisição de dois armários refrigerados com capacidade para 1.200 queijos cada, mas também em outros equipamentos em inox, como mesa, lava louça, termo seladora, para melhorar a quantidade e qualidade do produto, sublinhando que para o lançamento de novos produtos será necessário comprar novos equipamentos e ter embalagem “chamativo e de qualidade”.

Além de queijo e de requeijão, este último lançado há menos de um ano, a aposta de Suifogo é trabalhar para o lançamento de pudim de queijo, aproveitando o queijo tradicional da ilha, disse Manuel Mendes, sublinhando que essa iguaria vai ser confeccionada em forno de lenha para ser o mais artesanal possível, sendo que as embalagens devem ser modernas para a sua comercialização em todo Cabo Verde.

Este indica que a médio prazo a empresa vai apostar na produção de queijo semi-curado e curado de leite de cabra que é um produto que tem “margem de crescimento” no de mercado, principalmente nos mercados hoteleiros.

O facto de o foco estar centralizado nos derivados de lacticínios, conforme sustentou o responsável, a empresa não vai descorar o sector de transformação de produtos pecuários, continuando a produzir linguiça, costeletas e bacon em quantidade razoável para abastecer o mercado de São Filipe.

Para tal, a empresa apostou no melhoramento da raça e trouxe raças melhoradas de São Vicente e que está em fase de produção, para ter produtos com melhor qualidade, abastecendo o mercado de São Filipe com carne de porco para comercialização, funcionando o Suifogo como grossista a nível de carne.

“A nossa aposta fortíssima é no queijo que é um produto com potencial muito mais do que carne, que a nível nacional tem mais concorrências, é também limitado já que a carne de porco da ilha não pode ser comercializado nas ilhas do Barlavento”, disse o director-geral da Suifogo.

Apesar do mau ano agrícola, até este momento a nível de leite a empresa “não sentiu diferença”, segundo a mesma fonte, porque os criadores/fornecedores são das zonas centro e sul (Batente, Jardim, Lacacã, Monte Grande) onde ainda há algum pasto.

A Suifogo transforma diariamente 300 litros de leite, porque está limitada com a execução das obras, podendo com a sua conclusão chegar aos 350 litros de lite/dia.

“A grande incógnita é a partir de Junho/Julho, que é um período mais complicado”, afirma Manuel Mendes, indicando que na primeira fase do plano de salvamento de gado, 80 por cento (%) dos criadores que fornecem leite a esta empresa não foram contemplados com vales-cheques, apesar de serem criadores conhecidos e com “grande volume” de animais, esperando que na segunda fase a delegação do MAA possa contemplar esses criadores, porque entre Março a Julho é o período mais crítico.

A questão de transporte, sobretudo a ligação marítima regular entre Fogo/São Vicente e com os mercados turísticos do Sal e da Boa Vista, é um dos “principais constrangimentos” no escoamento dos produtos.

Com relação a Santiago, principal mercado de Suifogo, o problema é menor, mas com São Vicente o constrangimento é maior e levou esta empresa a suspender, ainda que temporariamente, a colocação dos seus produtos naquela ilha.

Com relação a Sal e Boa Vista ficou apenas pela tentativa, devido a falta de transporte regular e que dê garantia de rapidez e regularidade.

Além da Suifogo, uma outra unidade semi-industrial, a de Cutelo Capado, beneficia do projecto de UNUDI, cuja concretização coloca a ilha como “maior produtor” de queijo do país, “tanto em quantidade como em qualidade”, já que o projecto abrange desde produção de pastos, assistência técnica, produção, gestão, marketing e acesso a mercado.

A ilha do Fogo está neste momento acima da média nacional em produção de queijo, tanto em quantidade como qualidade, e estima-se que semanalmente são produzidos mais de quatro mil queijos.

Só a Suifogo produz à volta de 1.500 a 1,600 queijos por semana, e a sua produção é menos de metade dos queijos produzidos na ilha, refere Manuel Mendes.

JR/AA

Inforpress/Fim

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