21 Outubro 2017

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Ilha do Fogo: População da Chã coloca rol diversificado de preocupações ao presidente do Parlamento

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São Filipe, 01 Out (Inforpress) – A população de Chã das Caldeiras aproveitou a visita do presidente da Assembleia Nacional, Jorge Santos, para colocar de forma directa vários problemas que os afligem apesar de se mostrar céptica na sua resolução.

A questão do novo assentamento, as anomalias na lista de pessoas com habitações na Caldeiras e daquelas que vão beneficiar de moradias (43), em que algumas famílias não constam nem de uma nem de outra lista, o fim do pagamento de renda às pessoas que não constam das listas, o abandono a que a população diz ter sido renegada, segundo os populares, foram algumas das questões que foram colocadas ao presidente do Parlamento num clima de hostilidade e de descrédito.

Eduino Lopes, que perdeu a sua adega, casa e grande parte de terreno agrícola, a pessoa que maior prejuízo teve na sequencia da erupção, disse que está a refazer a vida com os próprios meios porque desde a erupção, conforme disse ao presidente do Parlamento, “nunca viu ninguém” para lhe dar ainda que seja uma satisfação por tudo que perdeu e para saber como tem estado.

“Não quero que me dêem nada, mas ao menos criar as condições para poder produzir e criar empregos a outras pessoas e o aliviar o Governo”, disse Eduino Lopes, que espera pela resolução do problema de água e que a construção da nova adega sirva realmente a todos os produtores de Chã das Caldeiras.

Um outro agricultor aponta a necessidade de preparação, protecção e correcção de solos em determinados sítios para evitar a erosão de solo e permitir a prática de agricultura em boas condições.

Um jovem de Chã que desempenha as funções de guia turístico disse que desde início sabia que isso iria terminar desta forma porque as pessoas chegaram e ofereceram casas para todos e ajuda à vontade, assegurando ao presidente do Parlamento de que se algum turista lhe perguntar o que o Governo tem feito para a população de Chã, infelizmente a sua repostas é de que “fez muito abaixo do zero”.

Este lembrou que a Câmara prometeu há vários meses atribuição de 200 contos às famílias para iniciar actividades geradoras de rendimento, mas até sábado, 30 de Setembro, ninguém recebeu nada, acrescentando que as coisas complicaram e até hoje não há nenhum sinal.

Alcindo, um dos guias turísticos mais conceituados de Chã, disse que a câmara “não liga ninguém” da Chã das Caldeiras e apontou com exemplo o facto de o edil só ter reunido com os populares sete meses depois da sua eleição e para pedir colaboração para um projecto de teleférico.

Questionou Jorge Santos do porque de só depois de um ano e meio após a eleição é que o Parlamento visita Chã, indicando que há falta de respeito para com a população, e prova disso é o facto, apontou, de ter sido acompanhado de um Wgrande numero de agentes de policia (10)”, questionando se a visita era para dialogar com a população ou a um “campo de guerra”.

“Desde início da erupção, as autoridades sempre que se deslocam a Chã são acompanhados de fortes dispositivos de segurança”, disse Alcindo, afirmando que se estão a falar de Chã, primeiro tem de pensar nas pessoas e só depois no vulcão, na bordeia, agricultura, vinho e turismo.

Este disse que o Governo do PAICV perdeu porque não soube gerir bem a situação e do MpD ganhou como era solução para Chã, “mas tal não aconteceu”, e apontou vários exemplos.

Enumerou o facto de só duas semanas depois do início das aulas e depois de os pais terem reivindicado é que o Ministério da Educação viu que tem necessidade de abrir escola na Chã, acrescentando que os deputados ou membros do Governo “não se preocupam” com a população “porque preocupam-se com os seus salários”, e não em reorganizar a população.

Danilo Fontes, uma das vozes críticas da actuação da câmara e do Governo na resolução dos problemas, disse ao presidente da Assembleia Nacional que a população “já ouviu mas não acredita nas suas palavras”, assim como dos membros do Governo e da câmara, relembrando que há um ano a população promoveu uma manifestação a exigir maior diálogo para resolução dos problemas mas até hoje não houve qualquer aproximação ou contacto das autoridades com a população.

Isabel de Pina, que perdeu a casa na erupção e que reconstruiu um espaço para a abrigar juntamente com os filhos, disse que durante vários anos sempre pagou imposto (décima) até Abril de 2014, mas apesar disso não consta da lista de beneficiários de assentamento.

Assim ela disse que não quer que o novo assentamento, dinheiro e nada do Governo, apenas que este lhe informe onde para o dinheiro que pagou de impostos durante vários anos e que seja devolvido, já que diz “não ter direito a nada”.

O presidente do Parlamento, que fez-se acompanhar da segunda vice-presidente da Assembleia Nacional e deputada do PAICV eleita pelo círculo do Fogo, Eva Ortet, do conselheiro Agostinho Lopes, da vereadora da edilidade de Santa Catarina, na ausência do edil que participava na inauguração do auditório Padre Pio Gottin, tentou mostrar aos populares a razão da visita, mas sem os convencer.

JR/AA

Inforpress/Fim

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