24 Novembro 2017

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Fogo: Projecto de adaptação da agricultura familiar às mudanças climáticas socializado na ilha

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São Filipe, 07 Set (Inforpress) – O projecto de adaptação da agricultura familiar às mudanças climáticas (ASAP) que beneficia mais de 1200 famílias de quatro ilhas agrícolas do país foi socializado hoje na cidade de São Filipe.

O projecto, orçado em quatro milhões de dólares norte-americanos (479 mil contos cabo-verdianos) e com duração de quatro anos (2017-2020) é um financiamento adicional do Programa de Oportunidades Socioeconómicas no Meio Rural (POSER), suportado pelo Fundo Internacional para o Desenvolvimento Agrícola (FIDA).

Vai ser implementado nas ilhas de Santiago, São Nicolau, Fogo e Brava, cobrindo 1215 famílias (6.075 pessoas) de 10 localidades e bacias hidrográficas e uma área total de 6.632 hectares.

João Fonseca, coordenador da Unidade Técnica do programa e que fez a apresentação do projecto, disse que o objectivo é contribuir para a melhoria das condições de vida das populações rurais e aumentar, de maneira resiliente às mudanças climáticas, os rendimentos locais, criação de empregos e condições de bem-estar das populações pobres nas zonas de intervenção de investimento do programa.

O grupo alvo do projecto abrange os pequenos agricultores das zonas de intervenção de modo a assegurar a inclusão das famílias vulneráveis, mulheres e jovens num total superior a 1200, sendo que a nível da ilha do Fogo vai ser implementado em duas regiões, zona norte de São Filipe, cobrindo 60 famílias e Cabeça Fundão, município de Santa Catarina, contemplando 150 família.

Em Cabo Verde a disponibilidade de recursos hídricos é um dos principais factores limitantes do desenvolvimento económico e rural sustentável e a diminuição e irregularidade das chuvas face aos efeitos resultantes das mudanças climáticas tem contribuído para a desertificação e degradação do solo.

O surgimento do projecto, segundo João Fonseca, é para fazer face às consequências da vulnerabilidade de Cabo Verde por um lado e por outro visa fortalecer a capacidade dos pequenos agricultores face aos efeitos crescentes das mudanças climáticas.

Assim o projecto vai ter o seu foco de intervenção em três eixos fundamentais, como utilização de água superficiais disponíveis nas barragens, mobilização de água subterrânea a partir de furos já existentes, mas que não estão equipados, e redução do custo de bombagem onde haverá substituição do sistema de alimentação eléctrica para utilização de energia fotovoltaico ou uso dos dois sistemas.

Programas regionais de luta contra a pobreza desenvolvidos de forma participativa e integrada com abordagens de mitigação às mudanças climáticas, investimento socioeconómicos apoiados pelo projecto para melhorar a resiliência a mudanças climáticas e tornar as actividades económicas e condições de existência das famílias pobres mais sustentáveis, e estruturas institucionais e as competências dos actores locais reforçadas para apoiar de forma eficaz as iniciativas de desenvolvimento das populações rurais são os principais resultados esperados com a sua implementação.

A nível da ilha, de entre as actividades, prevê-se a construção de um reservatório de mil metros cúbicos para recolha de água pluvial na zona de Cabeça Fundão para abeberamento de gado, equipamentos de furos de prospecção de água para agricultura, o que vai permitir a redução do custo de água.

Depois da apresentação do projecto, o coordenador da Unidade de Coordenação Técnica, juntamente com membros da Comissão Regional de Parceiros (CRP) e de associações de desenvolvimento comunitários têm previsto visitas a unidade de transformação de frutas da localidade de Lomba, em fase de execução, e a área de implementação do projecto ASAP, na localidade de Cabeça Fundão, Santa Catarina.

O coordenador da Unidade Técnica, que assumiu as funções recentemente, disse que vai aproveitar a sua estada na ilha para inteirar-se das actividades desenvolvidas no quadro do POSER, entre 2014 e 2017, ver o estado de desenvolvimento e os constrangimentos, visando a melhoria das condições de vida dos beneficiários.

João Fonseca revelou ainda que um dos constrangimentos está relacionado com a problemática da água, nomeadamente do seu custo, indicando que para a sua resolução é preciso projectos estruturantes que possam ser financiados no quadro do programa POSER.

Este ano, recorda, o programa financiou em mais de quatro mil contos o projecto de extensão da rede de água desde Laranjo a Mosteiros Trás para beneficiar 18 horticultores com instalação de parcelas irrigadas.

JR/ZS

Inforpress/Fim

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