21 Julho 2019

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Deslocados de Chã sentem-se abandonados e castigados a coabitarem em condições precárias de sobrevivência

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São Filipe, 11 Jul (Inforpress) – Os deslocados de Chã das Caldeiras, em Achada Furna e Monte Grande, consideram-se “abandonados e castigados” por coabitarem em condições “precárias de sobrevivência”, num “autêntico atentado” à saúde pública e vulneráveis a acidentes domésticos, sete meses após a erupção vulcânica. Estes sentimentos foram manifestados esta sexta-feira pela população deslocada, que não se conforma pela forma como sobrevivem, na sequência de uma deslocação da Rede dos Jornalistas para Questões da População e Saúde (REJOP) a estas localidades no âmbito do Dia Mundial da População, que se comemora mundialmente hoje, 11 de Julho, e este ano virado para as catástrofes naturais. Oficialmente, os centros de acolhimento da população deslocada por causa da erupção vulcânica de 23 de Novembro de 2014 foram desactivados, já que muitas das vítimas foram transferidas para residências alugadas ou para as casas construídas aquando da penúltima erupção do vulcão do Fogo, há 20 anos, que tiveram de ser adaptadas a algumas ampliações. Entretanto, algumas famílias continuam a viver em tendas improvisadas como extensão a estas casas de 1995 que, dizem, encontram-se em situações precárias de habitabilidade, já que os tectos de fibrocimento praticamente não dão garantias pelo que as preocupações começam a aumentar com o aproximar da época das chuvas. Nestas circunstâncias encontra-se, por exemplo, uma família em Achada Furna, onde numa casa de dois quartos (uma sala e um quarto) convivem quatro famílias num universo de 16 pessoas, pelo que reclamam melhores condições de vida. Antónia Gomes da Silva, mais conhecida por Rosinha, é um dos rostos desta indignação que não se conforma “como as coisas estão”, e diz mesmo estar diariamente a temer pela sua segurança e de todos que ali vivem. “Estão a ver que os tectos da casa estão em situação lastimável. Têm muitas fissuras, não vão aguentar a época das chuvas. Aqui vivemos amontoados. A noite é pior porque temos de partilhar o espaço. De dia os homens vão a Chã trabalhar nos campos, mas, paciência”, ilustra com lágrimas nos olhos, enquanto aponta para as crianças. Paredes meias com esta casa, encontra-se uma tenda que foi considerada pelos especialistas e técnicos dos serviços de saúde como um “autêntico atentado” à saúde pública, já que com menos de dois metros de altura e cinco de largura vivem lá dentro dez pessoas, adultos e crianças. A tenda é aproveitada para servir, tanto para quartos de dormir como para cozinha, pelo que as garrafas de gás e o fogão ameaçam perigos constantes, agravados ainda pela instalação eléctrica precária, feita pelos próprios moradores, em que as baterias de cargas eléctricas estão ligadas às próprias camas de ferro, com fios à vista desarmada. Quem não se conforma com esta situação é o jovem José da Silva Montrond, por sinal pai das três crianças falecidas no espaço de nove dias, cujas causas continuam ainda por esclarecer. Cabisbaixo, Silva Montrond, que vive com outra família constituída por outra mulher e filhos, também menores, reconhece que da forma como a instalação eléctrica é feita constitui um “autêntico perigo” para toda a população que coabita neste espaço, mas diz não ter outra alternativa para sobreviver. “Estamos totalmente abandonados pelas autoridades. Estamos tristes, chateados por que somos vítimas da natureza e dos governantes”, contesta Montrond que clama por uma maior atenção “ainda antes da queda das primeiras chuvas”. Afirma que mesmo as cestas básicas estão a ser “mal distribuídas” e reclama inclusive da forma como foi retirada este donativo a uma viúva de 93, enquanto uma empresária de Chã continua a beneficiar desta cesta básica, não obstante ter já “investido cerca de oito mil contos na construção de um novo hotel em Chã das Caldeiras, desafiando o próprio Estado. Toda esta situação deixou indignados a todos quantos se envolveram nesta iniciativa da REJOP, com o delegado de saúde de São Filipe, o médico legista Ledo Pontes, a chamar a atenção no sentido de se dar uma maior atenção a estas pessoas. Para este especialista, não existe condições de habitabilidade, os perigos estão constantes e a saúde pública destes moradores” está em risco a todos os níveis”, e a Protecção Civil alega inexistência de casas a alugar, enquanto a população resiste em deixar as localidades próximas de Chã das Caldeiras. De realçar que, a REJOP esteve no terreno com uma equipa multidisciplinar que envolve os seus jornalistas e parceiros como o Sistema das Nações Unidas, representantes da Saúde, médicos, enfermeiros, técnicos locais do Instituto Cabo-verdiano da Criança e do Adolescente (ICCA), do Instituto do Emprego e Formação Profissional, Cruz Vermelha e de entre outros. A ocasião foi aproveitada para a realização da Feira de Saúde nestas duas localidades, onde foram realizadas consultas de estomatologia, traumatologia e tensão arterial, assim como despistagem de diabetes, campanha de doação de sangue, para além de distribuição de vestuários, numa parceria com a Protecção Civil local. SR/ZS Inforpress/Fim
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