21 Julho 2019

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Património Cultural/40 anos: Adulteração dos sobrados compromete sonho de São Filipe ascender a património mundial

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São Filipe, 27 Jun (Inforpress) – As profundas alterações e adulterações ocorridas em vários sobrados e outros patrimónios culturais do centro histórico da cidade de São Filipe podem ter comprometido o sonho de algum dia esta urbe vir a ser declarada património cultural da humanidade. Entre as pessoas que defendem esta tese, encontra-se a professora aposentada Gilda Barbosa, para quem o património maior da cidade de São Filipe, os seus sobrados, “foram alterados e mal alterados” com a substituição “da madeira pelo cimento”, e desta forma destruiu-se a possibilidade de algum dia São Filipe vir a ascender a património da humanidade. “Não há uma fiscalização para preservação do património arquitetónico construído, pois quem devia fiscalizar é o primeiro a destruir e adulterar o património existente”, disse Gilda Barbosa, defendendo que “nos últimos 40 anos não houve uma verdadeira política de preservação do património, mas apenas um abuso de discurso sem consequências práticas”. Esta indicou um conjunto de sobrados e outros patrimónios culturais como as praças João Paes e do Presídio, Alto São Pedro, Meia Laranja que foram adulterados, indicando que neste último espaço urbano onde existia a Igreja de Misericórdia devia ser objectivo de escavações arqueológicas, já que na altura da construção das moradias foram encontradas ossadas. Ainda, no entender da mesma fonte, esse estudo deve ser estendido ao cemitério de baixo e mesmo ao átrio da actual Igreja Matriz. Para o curador do Centro Histórico da Cidade de São Filipe, Fausto Rosário, é “inegável” que o valor do património construído na ilha, sobretudo arquitectónico da cidade e um pouco por toda a ilha (casas/solares ou sobrados do interior) sendo o mais emblemático o de Pico Pires, necessitam de preservação passados os 40 anos. “Não obstante a gestão desastrosa que sofreram nos últimos 25 anos importa referir que há muito por preservar e muito ainda por valorizar e classificar”, afirma o curador, para quem o trabalho deve congregar todos os intervenientes na preservação, divulgação e valorização do património, desde o poder local, passando pelos proprietários dos sobrados e a Curadoria. Advoga não ser de todo admissível que o edifício mais emblemático da cidade, a Escola Central ou Luís de Camões como foi baptizada a 10 de Junho de 1937, hoje património municipal, se encontra há quatro anos em obras e não se sabe para quando estará concluída, já que o prazo inicial de um ano lectivo há muito que foi ultrapassado. “O estado actual desse património perturba os Sanfilipenses e os responsáveis, a diferentes níveis, quer do Ministério da Educação, como municipais devem buscar soluções para este património municipal”, afirma o curador do Centro Histórico da cidade de São Filipe. Para Fausto do Rosário, tem de existir um plano e conjugação de esforços para recuperação, quer dos sobrados como dos outros patrimónios do Centro Histórico, como a praça do Presídio, a recuperação da calçada artística da avenida que se estende desde Xaguate até o Presídio, só pra citar alguns. Segundo o mesmo, a recuperação de alguns sobrados justifica-se mesmo por questões de segurança, não só das pessoas que os ocupam como residência ou para serviços como para os transeuntes, já que correm o risco de uma derrocada e com consequências ainda maiores. O rés-do-chão dos sobrados, outrora utilizado para comércio/armazém, tem sido usado nos dias de hoje para oficinas de serralharia/carpintaria e a simples vibração das máquinas tem estado a comprometer a estrutura dos sobrados, adverte Fausto do Rosário. Além do trabalho de preservação do património, o curador do Centro Histórico da Cidade defende a divulgação e realização de estudos para se compreender a importância que os sobrados representam para o passado, presente e futuro de São Filipe e da ilha do Fogo, observando que, além da abordagem feita pelo escritor Teixeira de Sousa numa das suas obras literárias, não há mais divulgação dos sobrados. “Para compreender melhor, não basta recuperar os sobrados mas é preciso um estudo antropológico e um trabalho de divulgação sobre a época e formação dos sobrados”, disse Fausto do Rosário. Não obstante a adulteração e degradação dos sobrados, edifícios emblemáticos, os turistas que chegam a São Filipe consideram-na como a cidade mais conservadora do arquipélago devido ao seu encanto arquitetónico, disse a responsável da Casa da Memória, Monique Widmer. Alguns turistas comparam o aspecto arquitetónico dos sobrados com uma parte da cidade de Havana (Cuba), disse Monique Widmer. JR/ZS Inforpress/Fim
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