21 Julho 2019

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Agricultura/40 anos: Reforma agrária “matou” agricultura de sequeiro não obstante a modernização introduzida

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São Filipe, 26 Jun (Inforpress) - A implementação da lei da reforma agrária nos anos a seguir a independência nacional “matou” a agricultura de sequeiro que continua num plano decrescente, apesar dos investimentos registados na modernização dos sectores da agricultura e pecuária. Com a lei, explica o agricultor e proprietário de terreno de sequeiro na zona norte de São Filipe, um dos principais celeiros da ilha do Fogo e de Cabo Verde, Guilherme José Canuto, “Nhonhô de Shell”, os proprietários de terreno, desmotivados, passaram a cultivar menos parcela e os camponeses que passaram a pagar a renda também deixaram de trabalhar a terra. Como consequência dessa política, indica, a maior parte da terra arável, mesmo nas zonas onde a produção raramente falha ainda que se regista pouca chuva, encontra-se bravia e abandonada. Apesar de reconhecer que a agricultura irrigada, que até a data da Independência era inexistente, tenha conhecido uma expansão e modernização, Guilherme Canuto, é de opinião de que a agricultura de sequeiro é que continua a sustentar os mercados do Fogo e de outras ilhas, anotando que a cada ano que passa há menos gente a trabalhar na agricultura de sequeiro. A decadência da agricultura de sequeiro deve-se também, explicita o proprietário e agricultor, pela falta de mão-de-obra já que, conforme disse, “a nova geração não quer saber da agricultura de sequeiro e as pessoas com mais de 60 anos, mesmo que tenham boa vontade, já não têm forças e energias para continuar a lavrar os campos como noutros tempos”. A título de exemplo, Guilherme Canuto indica que o salario diário para os trabalhos na agricultura de sequeiro é de 1.500 escudos mas, mesmo assim, os proprietários têm tido dificuldades para encontrar mão-de-obra disponível para este tipo de trabalho no período de aságuas”. Considera que a lei da reforma agrária, num primeiro momento, bem como a falta de mão-de-obra e o pastoreio livre, são os principais factores que justificam o declínio da agricultura de sequeiro nos últimos 40 anos. Leitura diferente têm outros agricultores e pessoas que dependem da exploração da terra no dia-a-dia, sobretudo os que praticam agricultura irrigada, cujas primeiras experiências iniciaram após a independência, através da cooperação alemã, em Monte Genebra e Achada Malva. Para David Gomes Monteiro, “Neves”, ligado ao sector vitícola, nos últimos 40 anos, os sectores da agricultura e pecuária conheceram um “desenvolvimento impressionante”, quer a nível de sequeiro como de cultura irrigada com reflexo na produção de fruteiras, hortícola e os outros produtos. “Houve introdução e dinamização da área de agricultura com plantas melhoradas, enxertadas, mas também trabalho de conservação de solo e água com reflexo na produção”, salienta David Monteiro, adiantando que graças a essas melhorias surgiram indústrias de transformação no sector agropecuária com destaque para o sector do vinho, café e produção de queijo e transformação de frutas. “Há um desenvolvimento tanto em quantidade como em qualidade do sector agrícola”, disse David Monteiro indicando que se no domínio de sequeiro na zona baixa da ilha os jovens estão poucos engajados, nas zonas altas, nomeadamente Chã das Caldeiras, regista-se um envolvimento de jovens na “conquista” de terrenos até bem pouco tempo incultiváveis para fixação de plantas de videiras e outras fruteiras, a cada ano que se passa. JR/CPInforpress/Fim
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