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Erupção Vulcânica: Deputado Eurico Monteiro pede substituição das cestas básicas por dinheiro

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Actualizado a 28/05/2015, 13:47 Cidade da Praia, 28 Mai (Inforpress) – O deputado do MpD pelo Fogo, Eurico Monteiro pediu hoje ao Governo que dê dinheiro às famílias vítimas da erupção vulcânica como forma de garantir a autonomia e permitir que saiam das situações “situações dramáticas” por que passam. Eurico Monteiro que fazia uma declaração política no Parlamento esta quinta-feira, afirmou que é facilmente verificar que a resposta do Governo foi “claramente insuficiente e incompatível” com a urgência, a gravidade e a complexidade do problema. Conforme indicou, apesar da garantia do primeiro-ministro de que a falta de recursos não seria argumento utilizado pelo Governo, passados seis meses do início da erupção vulcânica a desorganização ainda reinante é inaceitável. “Há enormes dificuldades de abastecimento de água, famílias com 10 membros a viver numa só tenda…famílias despejadas de casas alugadas por falta de pagamento de renda e outras que abandonaram tais casas por vergonha e pressão dos proprietários que não recebiam rendas prometidas pelo Estado”, relatou. As casas para todos, antes prometidas por José Maria Neves, continuam fechadas passado mais de um ano da sua conclusão, e a reabilitação das casas de 1995 que deveria começar em Janeiro até ainda não arrancou. Face a essa situação, grande parte das famílias já voltou à Chã das Caldeiras, vivendo em barracas, funcos e parte das anteriores casas, sem qualquer apoio financeiro e à mercê das cestas básicas. “Na verdade tudo tem de ser comprado pela protecção cívil para depois ser distribuído pela Cruz Vermelha. Numa quinzena cada família recebe cerca de 1 a 1,5 quilogramas de frango e de peixe. As famílias não têm água em casa e não dispõem se quer de dinheiro para comprar  uma lata de água…a compra de medicamento é uma autêntica dor de cabeça, tendo que mendigar às vezes durante dias, muitos acabando por desistir”, descreveu o deputado. Perante a situação questiona por que razão de peso não se pode confiar dinheiro às pessoas para fazerem a sua gestão, fazendo as suas opções em função das suas necessidades e gostos. “Por que se deve, no meio desse drama, acentuar o nível de dependência das famílias, criando uma relação primária de sobrevivência, matando toda a autonomia delas. Dar autonomia de decisão às famílias em certas matérias como a aquisição de certos bens e dispensa de outros, deve ser parte de reconstrução do seu modo de vida”, realçou. O pedido de Eurico Monteiro não foi, no entanto, bem recebido pelos deputados do PAICV e pelo Governo. O deputado Júlio Correia admitiu insuficiências, mas sublinhou que há investimentos que neste momento estão em curso e que vai dar respostas a essas insuficiências apontadas pelo deputado do MpD. “Eu não o acompanharia senhor deputado Eurico Monteiro nesse registo de dar dinheiro. Eu penso que uma das virtudes dessa maioria é de fugirmos à lógica assistencialista, ao registo de assistência”, disse Júlio Correia adiantando que aquilo que menos se quer é ter ex-deslocados de Chã das Caldeiras. Júlio Correia explicou que a forma como está-se a pensar o processo quer de reassentamento, quer de permitir que as pessoas tenham actividades que lhes possam ter rendimentos e permitir que andem pelos próprios pés não tem nada a ver com dar dinheiro às pessoas. Na mesma linha de ideia o ministro dos Assuntos Parlamentares e Defesa Nacional indicou que dar dinheiro às pessoas foge à prática internacional e mundial. “Normalmente o que acontece no mundo em situações de catástrofes, é que nunca se distribui o dinheiro às pessoas. Às pessoas deslocadas de um modo geral é-lhes dado meios para a sua subsistência ao mesmo tempo que é feito o trabalho para a criação de condições para que elas possam ter acesso ao rendimento”, explicou. Neste sentido o Governo lembrou que há um projecto em curso para a reconstrução que inclui edificações novas para assentamentos e recuperação de casas anteriormente construídas, a construção da nova adega de vinho, cuja primeira pedra já está lançada e a realização de outras actividades geradoras de rendimento. MJB   inforpress/fim      
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