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Fogo: Produtores de café avaliam prejuízos em milhares de contos devido ao incêndio de 02 de Maio

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Actualizado a 09/05/2015, 10:30 São Filipe, 09 Mai (Inforpress) - O proprietário de terrenos de cultivo de café nas zonas altas dos Mosteiros, cuja área foi a mais devastada pelo incêndio que deflagrou no dia 02 de Maio, calcula ter encaixado prejuízos superiores a um milhão de escudos. Orlando Andrade disse à Inforpress que o seu campo de cultivo foi fortemente atingido pelo incêndio, e que mais de duas centenas de cafeeiros foram destruídos pelas chamas, assim como mais de um milhar de plantas florestais, podendo a produção de café ficar seriamente afectada nos próximos três a quatro anos. Estima assim por alto que uma área correspondente a 20 por cento (%) da área de cultivo de café foi atingida e 90% da área florestal da sua propriedade foi também destruída pelo incêndio, afirmando contudo que as áreas de fruteiras (laranjeira, limoeiro, tangerina) não foram afectadas pelas chamas. Orlando Andrade desabafou que espera poder contar com o apoio, ainda que seja moral e técnica, do Ministério do Desenvolvimento Rural (MDR) através de fornecimento de plantas de cafeeiros e na preparação do terreno para a fixação das mesmas, anotando que a fixação de uma planta de café custa em média 250 escudos, sem contar com o custo da própria planta, que oscila entre 250 a 400 escudos, dependendo do tempo de permanência no viveiro. À semelhança de outros produtores e proprietários de terrenos de café nas zonas altas dos Mosteiros, Orlando Andrade defende que medidas devem ser adoptadas para evitar estas situações, já que, conforme explicou, é o terceiro ano consecutivo que se registam incêndios provocados por comportamentos análogos por parte dos agricultores. Orlando Andrade realiza este sábado uma visita à sua propriedade para um levantamento mais exaustivo e vai indicando que o MDR deve efectuar uma avaliação técnica para calcular os prejuízos acumulados e em função disso adoptar algumas medidas para a reposição das plantas, através de produção e distribuição de cafeeiros aos proprietários. Por seu turno, Rosério Rodrigues, outro proprietário cuja área de cafezal foi seriamente afectada, calcula que metade da sua propriedade na zona alta foi devastada e mais de uma centena de cafeeiros atingidos pelas chamas. “Se chover cedo algumas plantas podem regenerar-se, mas a produção de café para os próximos dois ou três anos está comprometida”, disse, anotando que mesmo fixando na próxima época das chuvas, novas plantas, elas só produzirão em pleno a longo prazo, num período de 10 a 12 anos e por isso os prejuízos são avultados. À semelhança de Orçando Andrade, Rosério Rodrigues calcula que os prejuízos ultrapassam um milhão de escudos, pelo que é de opinião que “alguém deve ser responsabilizado no sentido de reparar os prejuízos”. Entretanto, disse que não alimenta grandes esperanças de que o MDR venha a apoiar todos os proprietários afectados, uma vez que estão em causa milhares de contos em prejuízo, mas   espera que um ou outro produtor possa vir a beneficiar de alguma intervenção. Já Amarildo Baessa, um dos responsáveis da empresa “Fogo Coffee Spirit”, apesar de não conhecer ainda a verdadeira dimensão dos estragos provocados pelo incêndio e nem se os potenciais fornecedores foram afectados, afirma que o impacto deste incêndio é negativo para o projecto da empresa. Segundo explicou, têm acordo para fornecimento de plantas de cafeeiros de forma gratuita aos agricultores e em contrapartida estes fornecem à empresa as suas produções. Sublinhou entretanto, que em função das avaliações e dos prejuízos a empresa vai repensar o seu projecto. De acordo com o responsável da “Fogo Coffee Spirit”, a produção nos próximos dois ou três anos será afectada independente de se registar maior ou menor quantidade de chuvas e é indispensável que as entidades definam novas intervenções para corrigir os danos provocados pelo incêndio. Avançou que a empresa prevê para este ano a produção de 200 mil plantas para a extensão da área de cultivo de café nas zonas altas dos Mosteiros e que o processo de produção já foi iniciado com a selecção de sementes, mas com a ocorrência deste incêndio a empresa vai ter de rever a sua política de distribuição de plantas. Amarildo Baessa disse que um dos proprietários que vende a sua produção à “Fogo Coffee Spirit” tinha ainda colheita por fazer numa das zonas atingidas pelas chamas, perdendo assim parte da sua produção. Por esta razão a empresa já não pensa na aquisição de mais cerejas (café maduras) este ano, fechando a compra em cerca de 94 toneladas de cerejas, perto de 20 toneladas de café comercial, o que representa um aumento superior a 40 por cento em relação ao ano de 2014, não obstante a produção global ser inferior ao mesmo período em cerca de 40%. Indicou, por outro lado, que a “Fogo Coffee Spirit” tem hipótese de adquirir mais oito toneladas da produção do ano passado que alguns produtores têm em stock. Vários outros produtores de café e de fruteiras como laranjeira, limoeiro, goiabeira, tangerina, bem como áreas de produção de feijão e tubérculos, e alguns criadores de gado somaram prejuízos avultados por este incêndio que deflagrou no sábado, 02 de Maio, quando um agricultor preparava o café, perdeu o controlo da situação. O incêndio atingiu mais de 70% do perímetro florestal de Monte Velha, destruindo arbustos, pastos, plantas endémicas e algumas árvores de maior porte. JR  Inforpress/Fim
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