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São Filipe: Moradores do centro histórico queixam-se de barulho durante o período das festas

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Actualizado a 20/04/2015, 22:38 São Filipe, 22 Abr (Inforpress) – Os moradores do centro histórico da cidade de São Filipe, localizado no enfiamento do Presídio, palco central das actividades culturais das festividades do Dia do Município e da Bandeira, queixam-se do barulho a que estão votados durante uma semana. Muitos dos moradores, sobretudo com idade mais avançada, deixam as suas residências habituais para fixarem durante uma semana em outros pontos da ilha ou para se deslocarem a outras ilhas, porque não suportam o barulho. Gilda Barbosa, que mora a menos de 200 metros do Presídio, disse à Inforpress que “não é possível dormir durante a semana de festa, porque ela começa tarde e termina ao amanhecer”, razão pela qual é obrigada a se deslocar à cidade da Praia no dia 25 de Abril, dia que inicia as festividades, e regressa a 04 de Maio, depois do término das festas. Acrescentou que esta questão já foi analisada com o edil de São Filipe que, “há três anos, tinha prometido tomar medidas, mas que nunca as tomam”. Segundo esta moradora, na falta de solução “os incomodados é que se retiram”. “A lei de barulho (poluição sonora) que fizeram é para o inglês ver. Não há fiscalização e aqueles que deviam fiscalizar é quem produz mais barulho”, disse Gilda Barbosa, para quem a poluição sonoro no centro histórico não se resume apenas ao período das festas de São Filipe, mas a várias épocas do ano, com concentração de grupos de utilizadores de álcool e drogas na principal praça, pela madrugada adentro, incomodando várias pessoas. “Já não telefono a Policia Nacional, porque não actua ou quando chega é tarde demais”, disse Gilda Barbosa. A mesma não é contra a realização das festas do Dia do Município e da Bandeira, mas da forma como é realizada, indicando que podia se conciliar a realização das festas com o direito que as pessoas têm ao sossego, definindo um horário que permitisse as duas coisas. De acordo com Gilda Barbosa, “está-se na fase dos três B – baile, bebidas e barulho e não há imaginação para fazer outra coisa senão a festa”, com reflexo em mais roubos, insegurança para as pessoas. Para Gilda Barbosa, num país pobre com uma “situação económica terrível”, devido aos efeitos do mau ano agrícola,  gastar 14 mil contos nas festas é muito, se comparado com aquilo que é disponibilizado para o sector social. Ovídeo Pires, outro morador nas proximidades do Presídio, está a equacionar a possibilidade de passar a noite em outros pontos da cidade, com maior sossego, notando que sofre de tensão arterial e que não suporta o barulho e passar uma semana sem dormir. “No dia que o palco das festas for mudado para outro espaço, darei uma festa”,  disse Ovídeo Pires, que não é contra a festa em si, mas defende que as autoridades deviam respeitar o direito de sossego das outras pessoas, estipulando um horário mais adequado e que permitisse, aos mesmos, ter algumas horas de descanso. Este disse que, além do barulho provocado pelas actuações dos diferentes grupos musicais, as autoridades deviam criar parques de estacionamento para disciplinar o trânsito neste período que causam alguns transtornos às pessoas. Outras pessoas, sobretudo com idade mais avançada e que residem no centro histórico queixam-se da situação, mas preferem não se identificar. Um casal que vive neste espaço vai tomar a mesma decisão de Gilda Barbosa e sair da ilha durante as festas, tendo o esposo já deixado a ilha e a esposa prestes a deixar São Filipe, assim que concluir alguns afazeres. Outros residentes, cuja ocupação ou fragilidade económica não permitem “sair” da ilha, vão se “refugiar” no interior, enquanto muitos são obrigados a suportar o barulho ensurdecedor dos instrumentos electrónicos durante uma semana, de 25 de Abril a 02 de Maio , até que a edilidade de São Filipe venha a encontrar soluções. Um morador que não tem como deixar a sua residência durante o período das festas disse que vai munir-se de medicamentos para o ajudar a dormir, porque de outra forma e conforme a experiência dos anos anteriores, não é possível tirar umas horas de sono. JR Inforpress/Fim  
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