25 Junho 2022

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Erupção Vulcânica: A localidade de S.Jorge é zona de perigosidade baixa mas não se pode descartar possibilidade de actividade vulcânica – Bruno Faria

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Actualizado a 03/03/2015, 00:16 São Filipe, 03 Mar (Inforpress) – A localidade de S.Jorge, a norte de São Filipe,  é uma zona de perigosidade baixa e probabilidade baixa de formação de bocas eruptivas, mas não é uma zona isenta de erupção vulcânica, alertou o geofísico do INMG Bruno Faria. Durante a apresentação do tema “monitorização do vulcão do Fogo: uma contribuição para a redução da perigosidade vulcânica”,  no fórum de reconstrução da ilha do Fogo, Bruno Faria lembrou às autoridades que a localidade de S.Jorge está situada nas proximidades do cone de Monte Preto de formação relativamente recente. Em termos de perigosidade associada às escoadas de lava, além da Caldeira que é classificada como zona de perigosidade muito elevada e de probabilidade elevadas de formação de bocas eruptivas, e de S.Jorge, Bruno Faria definiu outras três grandes áreas de perigosidade, nomeadamente a zona norte do município de Santa Catarina, de risco muito elevado, se os filões se orientarem na direcção norte/sul e se as bocas eruptivas se posicionarem a sul do pico do vulcão. A zona sul dos Mosteiros, desde Fonsaco até Relva é tido como zona de perigosidade elevada,  se os filões se orientarem na direcção norte/sul e as bocas eruptivas posicionaram-se a norte do pico do vulcão e uma zona de perigosidade baixa e de probabilidade também baixa de formação de bocas eruptivas para filões orientados na direcção norte-sul, abrangendo a zona sul de Santa Catarina (entre a cidade de Cova Figueira e o povoado de Monte Vermelho/Roçadas) e a zona norte do litoral dos Mosteiros desde Fonsaco até Fajazinha. O geofísico do Instituto Nacional de Meteorologia e Geofísica que fez uma abordagem das erupções ocorridas na ilha do Fogo desde 1500, corrigindo os dados até então existente de 27 erupções para 28 erupções, já que segundo o mesmo, no documento de Orlando Ribeira, não constava a erupção de 1601. Explicou que a média do intervalo da ocorrência de erupção é de 19.2 anos,  com desvio para 23 anos, notando que as instituições devem estar permanentemente preparados porque, conforme explicou,  “a próxima erupção poderá acontecer no próximo ano”. A nível de monitorização,  este disse que estão instalados e a funcionar na ilha do Fogo sete estações e na Brava outras duas e que estão projectadas para 2015 a instalação de outras quatro estações no Fogo e outras duas na Brava. O geofísica recomendou as autoridade a realização de encontros periódicos entre os agentes da Protecção Civil, encontros frequentes entre o SNPCB e a equipa de monitorização do vulcão, troca assídua de informações, realização anual de exercícios de mesa, realização de simulacros envolvendo a população de dois em dois anos, realização de campanhas de informação da população sobre a perigosidade vulcânica e o comportamento a adoptar em caso de alerta, e investigação do comportamento do Vulcão. Para o “retorno da população  a Chã das Caldeiras, além de actualização dos mapas, o geofísica que se disponibilizou, para voluntariamente realizar o exercício de mesa, recomendou ainda a realização de simulações do fluxo de lava, tendo em conta vários cenários, assim como de novas simulações para se encontrar o local “mais seguro” no interior da Chã das Caldeiras. Além da atenção especial que tem sido dedicado à ilha do Fogo, Bruno Faria lembrou às autoridades que “existem mais duas ilhas que devem merecer atenção, nomeadamente a Brava e Santo Antão”. Apesar da última erupção na ilha Brava ter ocorrido há mil anos, Bruno Faria notou que há registos frequentes de sismos, assim como na ilha de Santo Antão, cujo último sistema ocorreu recentemente. A vulcanóloga da Universidade de Cabo Verde, Sónia Vitória Silva, que coordenou a equipa que fez a monitorização no terreno da última erupção vulcânica, ao abordar a “prevenção do risco de catástrofes”,  reforçou a posição de Bruno Faria sobre o vulcanismo activo em Cabo Verde e,  sobretudo,  nas três ilhas mais ocidentais. A especialista na área de vulcanologia defendeu a criação do Observatório Vulcanológico de Cabo Verde porque,  conforme disse,  o modelo desenvolvido em 1995,  na sequência da erupção do Fogo, não foi suficientemente esclarecedor, mostrando-se convicta de que a melhor aposta para a redução do risco vulcânico em Cabo Verde é o esforço conjunto das instituições nacionais, em colaboração com instituições estrangeiras. A Uni-CV, conforme explicou, dispõe desde 2009, no seu Campus de Palmarejo,  de um observatório cuja instalação contou com apoio de 168 geocientistas nacionais e estrangeiros de diferentes países, universidades e continentes. “Impactos da erupção vulcânica sobre a saúde humana” foi o tema apresentado pela vulcanóloga da Uni-CV, Vera Alfama, onde destacou que na população local foram registados na sequência da erupção de 2014, alguns casos de problemas respiratórios, tosse, irritação no nariz e na garganta , provocando tosse intensa e dificuldade respiratória, irritação nos olhos e alergias na pele. JRInforpress/Fim
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