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São Filipe: Carnaval não empolga centenas de pessoas que se deslocaram à Avenida Amílcar Cabral

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Actualizado a 17/02/2015, 18:58 *** Por Jaime Rodrigues, da Inforpress *** São Filipe, 17 Fev (Inforpress) - As várias centenas de pessoas da cidade e do interior da ilha que lotaram a Avenida Amílcar Cabral, na cidade de São Filipe, assistiram um Carnaval sem brilho e muito longe do nível dos anos anteriores. Sem competição entre os quatro grupos oficiais, o carnaval de animação não despertou emoção nem nos elementos do próprio grupo nem na assistência. O primeiro grupo a desfilar foi o Fantasia de Cobom, com apenas um carro alegórico, apresentando o símbolo do vulcão e um coração, traduzindo o lema do grupo “Djarfogo na coração”. A seguir e com muito atraso, passou pela avenida o grupo Mar Azul com seu estilo habitual, e prestando homenagem às vitimas do naufrágio do navio Vicente, que ocorreu a 08 de Janeiro a quatro milhas do porto de Vale dos Cavaleiros, vitimando 15 pessoas, entre as quais, Sandra Varela, que integrava o grupo. Com dois carros alegóricos, um com a réplica do navio Vicente que afundou-se e outro carro transportando a rainha e rei do grupo, o Mar Azul prestou um minuto de silencio para homenagear as vítimas do naufrágio, em especial a Sandra Varela. O terceiro grupo a passar foi o Faxa da Terra que retratou o lado positivo de Chã das Caldeiras, localidade recentemente fustigada pela erupção vulcânica, nomeadamente o trabalho e as suas potencialidades, conforme elemento do grupo Mário Barbosa. Este grupo levou para avenida dois carros alegóricos, um com o ”funco” habitação tradicional de Chã das Caldeiras e com os produtos como vinho e fruteiras e outro transportando rei e rainha, mas sem grande imaginação e fantasia, que aliás dominou o Carnaval 2015, que para muitas pessoas é o pior dos últimos 20 anos. Sem fantasia, imaginação e pouca folia, os grupos, na ausência de competição, não capricharam como nos anos anteriores e, para alguns amantes da festa do Rei Momo, é preciso “uma revolução” no Carnaval e noutros aspectos culturais, fazendo os grupos entender que o Carnaval não é da Câmara mas dos próprios grupos, como referiu Alexandre Rodrigues, um seguidor do Entrudo há vários anos. O último grupo a desfilar foi o Fogo em Chama desfilou com dois carros alegóricos, um transportando a rainha e outro com um vulcão, símbolo do grupo. Pelo meio, desfilaram o grupo de animação de jardins-de infância, centro de dia do Instituto Cabo-verdiano da Criança e Adolescência (ICCA), grupo de batucada que homenagearam Sandra Varela, vítima do naufrágio do navio Vicente, uma figura também lembrada por outros grupos de animação. Mário Jorge “Djódjo”, um dos dinamizadores do Carnaval na década de 80 e 90 do século passado, afirmou que “é triste ver a tradição a morrer”, anotando que para animação, o desfile pode ser aceitável, mas o nível mesmo assim deixa muito a desejar. “Não há perfeição nos carros alegóricos, falta imaginação e responsabilidade aos grupos”, criticou anotando que o facto de a ilha ter passado por dois momentos de catástrofe não pode ser desculpa para o Carnaval deste nível. Para Djodjó, “ou os grupos faziam um bom Carnaval ou não faziam nada”, anotando que é preciso repensar esta actividade cultural na ilha do Fogo, sentimento partilhado por muitas pessoas que assistiram o desfile deste ano, marcado pela ausência de competição e falta de imaginação e criatividade. JR Inforpress/Fim
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