30 Junho 2022

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São Filipe: Maior festa tradicional da bandeira “Banderona” termina hoje depois de 24 dias de actividades

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Actualizado a 16/02/2015, 11:58 São Filipe, 16 Fev (Inforpress) – A maior festa tradicional da bandeira “Banderona”, iniciada a 24 de Janeiro, termina esta segunda-feira com o almoço aos convidados, depois de 24 dias de actividades culturais e recreativas, que levaram à Campanas de Baixo milhares de pessoas. A festa de São João Baptista “Banderona” inicia-se, regra geral, no último fim-de-semana de Janeiro e termina na véspera do Carnaval, mas poderá ser encurtada nos anos em que o Carnaval é assinalado no mês de Março, dependendo da posse do festeiro. Para a preparação do almoço, que antecede a passagem da bandeira para o festeiro do próximo ano, na Casa da Bandeira Grande e da Bandeira de Praia (por se de menor dimensão), os festeiros abateram no último sábado 22 bodes, dois bois e dois porcos, sem contar com os animais abatidos ao longo dos 24 dias, período em que se serviu refeição aos cavaleiros, coladeras e convidados que se deslocaram a Campanas de Baixo. António Carlos Miranda “Code di Tila”, natural de Campanas de Baixo e residente há mais de 15 anos na cidade da Praia, festeiro principal da edição deste ano, disse que os gastos ultrapassam os dois mil contos, sem contar com apoios dos familiares, amigos e alguns patrocinadores. Durante a edição deste ano das festas da Bandeira, passaram por Campanas de Baixo artistas como Jorge Neto (que abriu as festividades), Juka, Nho Nany e Banda Ló,  de entre outros que animaram as festividades. A Banderona é uma festa de cariz profana-religiosa, que atrai, anualmente, centenas de pessoas, sobretudo emigrantes daquela localidade residente nos Estados Unidos da América. A festa chama-se “Banderona” por ser a festa tradicional da bandeira de maior duração celebrada em toda a Ilha do Fogo e a segunda que movimenta o maior número de pessoas, depois da festa da bandeira de São Filipe, 01 de Maio, que tem um carácter nacional einternacional. A festa da “Banderona” ou da Bandeira de São João Baptista surgiu há mais de dois séculos e conforme reza a lenda, “na altura, as pessoas ouviam, no “assobiar” do vento, sons comparados com o toque de tambor e cantigas no ar, ao longo de uma semana”, seguidos de relâmpagos e trovões, tendo um raio caído numa ribeira onde brincavam algumas crianças. A “Banderona ”tem alguma diferença com outras festas assinaladas no Fogo. A sua figura principal é o "cordidjeru" (governador), que dirige e superintende todas as actividades da festa. Nela participam cavaleiros, detentores de bandeiras (guardiões das bandeiras e da ordem, paz e harmonia), um juiz que preside, juntamente com o "cordidjeru", que assegura a votação ou nomeação dos festeiros para a festa do ano seguinte, e um corpo de “coladeiras” integrado por homens e mulheres, acompanhados de “caxerus” ou tamboreiros. Outra figura da festa é o de “refugiado ou ladrão” que é uma espécie de “canisade” que só aparece na festa no dia da matança, no ultimo sábado , antes do almoço, com intenção de roubar os produtos como carne, mandioca e outros. José de Pina, de 83 anos, é quem desempenha este papel há cerca de 70 anos, o que o transformou numa figura muita conhecida na localidade de Campanas de Baixo e na ilha do Fogo. Hoje, ultimo dia da festa, espera-se centenas de pessoas de vários pontos da ilha do Fogo e todos os caminhos vão dar a Campanas de Baixo. JR Inforpress/Fim
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